13 de Setembro de 2017 / às 18:40 / 11 dias atrás

ESTREIAS-"Feito na América", com Tom Cruise, está entre os filmes que chegam aos cinemas esta semana

Tom Cruise participa de evento em Hollywood 20/5/2017 REUTERS/Patrick T. Fallon

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam nos cinemas do país nesta semana:

“FEITO NA AMÉRICA”

- O diretor Doug Liman e o astro Tom Cruise reúnem-se para realizar uma aventura cheia de ação e humor negro, incrivelmente baseada em fatos reais.

Cruise interpreta Barry Seal, um piloto de carreira cooptado pelo agente da CIA Monty Schafer (Domhnall Gleeson) para conduzir pequenos aviões e fotografar campos de produção e pouso clandestinos de grandes narcotraficantes pela América Latina.

O piloto realiza a missão com habilidade até ser pego por dois chefões do cartel de Medellín, Jorge Ochoa (Alejandro Edda) e Pablo Escobar (Maurício Mejía). Eles oferecem ao piloto uma participação nos lucros para transportar sua cocaína aos EUA. Verdadeiro crime perfeito, este tráfico sob a proteção da CIA (sem que ela saiba) rende altíssimos lucros a Seal.

Há, é verdade, uma crítica mordaz à política norte-americana dos anos 1980, em que o presidente Ronald Reagan dava um apoio secreto e ilegal a gente duvidosa, como Noriega (Alberto Ospino) e os Contras nicaraguenses, em nome do anticomunismo. Mas isto se dilui em meio à assumida intenção de exibir a versatilidade de Tom Cruise.

“AS DUAS IRENES”

- Premiada em dois festivais – Gramado e Cine BH -, o longa de estreia de Fábio Meira é uma delicada exploração do universo adolescente feminino.

Contando com duas estreantes muito carismáticas, Priscila Bittencourt e Isabela Torres, o filme desenvolve muito bem a ambiguidade que se cria a partir do momento em que a primeira Irene (Priscila), uma tímida garota de 13 anos, descobre a existência da outra Irene (Isabela), da mesma idade e filha de uma ligação secreta do pai com a costureira Neusa (Inês Peixoto, do grupo Galpão).

Mantém-se o ritmo desta aproximação entre as duas meninas, construindo um relacionamento entre estas irmãs que compartilham o mesmo nome, criando tensões mas evitando o melodrama.

“AMITYVILLE - O DESPERTAR”

- Se este filme é nova tentativa de ressuscitar a série “Amityville”, teria sido melhor deixar a casa maldita quieta no seu lugar, porque nada justifica tal ressurreição. Uma mãe viúva (Jennifer Jason Leigh) muda-se para o lugar, pois o aluguel é mais barato e próximo do centro médico no qual trata seu filho comatoso (Cameron Monaghan).

Logo depois da chegada, a gêmea do rapaz (Bella Thorne) percebe que há algo de estranho com a casa que, no passado, obrigou um homem a matar sua família. O filme brinca com a mítica do lugar – na companhia de amigos, a garota chega até a assistir ao primeiro longa da série, de 1979. Mas, fora isso, a produção leva-se muito a sério.

Sem uma boa trama ou personagens fortes, o longa, dirigido por Franck Khalfoun, contenta-se com sustos baratos ou coisas nojentas sem qualquer função na narrativa, existindo apenas para impressionar – e nem isso consegue-se fazer direito.

“DESERTO”

- Longa de estreia do ator Guilherme Weber, o filme cria um cenário de fim do mundo para abrigar uma trupe de artistas desgarrados de tempo e lugar, interpretados por Lima Duarte, Everaldo Pontes, Cida Moreira, Márcio Rosário, Fernando Teixeira, Magali Bif, Claudinho Castro e Pietra Pan.

Miseráveis andarilhos, de aldeia em aldeia à procura de público, eles desembarcam numa cidadezinha abandonada e resolvem ficar. Depois da morte do líder, contrário ao abandono da vida nômade, eles decidem seus novos papéis num sorteio, ao qual foram lançados papeizinhos em que cada um escreveu o que achava essencial ao funcionamento de uma cidade. Assim, ao sabor deste acaso, a cada um cabe uma função: Cozinheira, Médica, Caçadora, Militar, Negro e Puta.

Inconformados com sua nova condição, a Puta e o Negro se rebelam, mas o Militar assume também seu lado repressor. E assim o filme torna-se uma fábula sombria, marcada por uma reflexão política.

“GLORY”

- Diretores do multipremiado “A Lição” (2014), os búlgaros Kristina Grozeva e Petar Valchanov entregam no drama “Glory” um título igualmente celebrado num grande circuito de festivais europeus a partir de Locarno 2016.

Ao centro da história está o pobre ferroviário Tzanko Petrov (Stefan Denolyubov). Sua rotina é percorrer quilômetros de ferrovia, fiscalizando problemas de segurança. Um dia, encontra nos trilhos uma grande quantidade de dinheiro, mas o devolve às autoridades.

Esse gesto de honestidade não passa despercebido a uma esperta assessora de imprensa, Julia Staykova (Margita Gosheva). Mulher de confiança de um ministro dos Transportes (Ivan Savov) às voltas com denúncias de corrupção, ela enxerga em Tzanko uma oportunidade de desviar o foco do noticiário, com a entrega de um prêmio ao seu raro desprendimento. Mas Tzanko e Julia são os dois lados de um país em franca rota de colisão

(Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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