March 14, 2018 / 7:38 PM / 9 months ago

ESTREIAS-"Tom Raider - A Origem" e premiado "Em Pedaços" chegam aos cinemas

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam no país nesta quinta-feira.

Atriz Alicia Vikander acena em evento do filme "Tom Raider" em Los Angeles 12/3/2018 REUTERS/Mario Anzuoni

“TOM RAIDER - A ORIGEM”

- Lara Croft dá o ar da graça pela terceira vez no cinema, agora interpretada pela sueca Alicia Vikander – substituindo Angelina Jolie. E, como os dois longas anteriores, de 2001 e 2003, o resultado é um filme de ação frouxo porque a protagonista é uma personagem de videogame sem qualquer profundidade psicológica ou emocional, cuja saga resume-se a correr, atirar flechas e sofrer procurando o pai desaparecido (Dominic West).

Como o título entrega, esse é um filme sobre a origem de Lara e começa mostrando a moça como uma entregadora de refeições em Londres, que se nega a usufruir da herança do pai milionário, porque não aceita que ele tenha morrido.

Para encontrá-lo, ela segue uma pista que a leva à tumba de uma rainha má, onde, finalmente, as cenas de ação decolam – embora pareçam, em alguns momentos, uma versão piorada dos filmes estrelados pelo bom e velho Indiana Jones (Harrison Ford). Até chegar aí, porém, é preciso aturar uma protagonista pouco carismática, num filme que carece de humor.

“EM PEDAÇOS”

- Diane Kruger venceu o prêmio de melhor atriz em Cannes 2017 por sua interpretação de Katja, uma viúva que luta por justiça no esclarecimento do assassinato do marido (Numan Acar) e do filho pequeno (Rafael Santana) num atentado neonazista.

O diretor turco-alemão Fatih Akin (“Contra a Parede”) volta, assim, ao melhor de sua forma, assinando, com Hark Bohm, um roteiro impregnado de temas modernos, como a xenofobia e o fortalecimento de movimentos radicais de extrema-direita. O filme venceu também o Globo de Ouro 2018 como melhor produção em língua estrangeira.

Katja, o marido curdo Nuri e o filho Rocco formam uma família de classe média em Berlim, depois de um passado turbulento. Katja, que deixou o escritório do marido para ver a irmã, acabou sendo testemunha da chegada de uma mulher com uma bicicleta, que estaciona bem em frente. Somente horas depois, quando veio buscar o marido e o filho, encontrando o local inteiramente destruído por uma bomba, ela se recorda do detalhe, que é fundamental para identificar Edda Möller (Hanna Hilsdorf). Militante neonazista, ela foi a autora do atentado, ao lado do marido, André (Ulrich Brandhoff).

Parte considerável do filme se passa no tribunal, em que Katja e seu advogado, Danilo Fava (Denis Moschitto), lutam pela condenação do casal. O que torna o filme envolvente, no entanto, é a batalha ética que se desenrola dentro e fora do tribunal.

“MARIA MADALENA”

- Por séculos apontada erroneamente como prostituta – por um lamentável pré-julgamento do papa Gregório Magno, numa homilia do ano de 591 -, Maria Madalena foi reabilitada como apóstola e evangelista pela Igreja Católica em 2016, o que dá o mote para o novo drama bíblico que leva o seu nome, dirigido pelo australiano Garth Davis.

É esse tempero feminista o melhor trunfo do roteiro de Helen Edmundson e Philippa Goslett, que acompanha Maria Madalena (Rooney Mara) lutando contra o destino imposto às mulheres em sua época – o casamento arranjado e a maternidade compulsória. Inteligente e independente, ela assusta seus parentes, que chegam a levá-la a uma sessão de exorcismo, na qual ela quase se afoga.

A passagem de Jesus (Joaquin Phoenix) pela Judeia dominada pelos romanos dá-lhe a oportunidade de mudança, ainda que à custa de romper com sua família e despertar o falatório, inclusive dos demais apóstolos que seguiam Jesus, como Pedro (Chiwetel Ejiofor). O mais compreensivo é Judas Iscariotes (Tahar Rahim), um jovem que perdeu mulher e filho e conta com o estabelecimento, por Jesus, do Reino de Deus na Terra para reencontrá-los. Essa crença de Judas, aliás, estará na raiz de sua conhecida traição, o que permite uma humanização do personagem ausente de outras adaptações bíblicas.

“AMANTE POR UM DIA”

- Em “Amante Por um Dia”, o veterano cineasta francês Philippe Garrel volta ao tema que lhe é mais caro: o amor e todas as suas consequências, as alegrias e dores. Quando Jeanne (Esther Garrel) briga com o namorado, ela volta para a casa do pai, Gilles (Éric Caravaca), e descobre que ele está namorando uma garota da mesma idade que ela, Ariane (Louise Chevillotte).

No início, há uma rivalidade entre as duas, mas com o tempo, a idade e interesses em comum as aproximam. Vivendo sobre o mesmo teto, elas começam a compartilhar segredos e confidências, mudando a vida uma da outra, a ponto de colocar a posição de Gilles em xeque.

Filmado no preto e branco habitual do diretor, o longa pode não ter maiores novidades, mas sua investigação sobre a dinâmica dos relacionamentos amorosos, com toques que remetem à obra de Éric Rohmer, é sedutora e comovente, trazendo um frescor que há muito Garrel não alcançava.

“12 HERÓIS”

- “12 Heróis” retoma um assunto que parecia superado pelo cinema: o 11 de setembro. O filme começa com os ataques de 2001 e segue num festival de patriotismo que deve interessar mais ao público norte-americano. Os protagonistas são os soldados da primeira equipe de Forças Especiais mandada para o Afeganistão depois do ato terrorista.

Os soldados são liderados por um capitão (Chris Hemsworth) e, ao lado de um general afegão (Navid Negahban), deverão chegar à cidade de Mazar-i-Sharif, onde derrotarão o Taliban e libertarão o povo afegão. A única maneira de atravessar as montanhas da região é a cavalo.

Dirigido por Nicolai Fuglsig, o filme se baseia num episódio real e parece acontecer num mundo onde os EUA são capazes dos maiores atos de bondade global. Ao contrário de obras como “Guerra ao Terror” que, problematizam a presença militar americana no exterior, aqui os ianques são exclusivamente heróis.

(Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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