June 5, 2018 / 3:28 PM / 4 months ago

Freira dos EUA se torna referência de católicos do país como crítica de cinema

CULVER CITY, Estados Unidos (Reuters) - Em um escritório de um subúrbio de Los Angeles localizado entre seu convento e uma capela, a crítica de cinema e freira Rose Pacatte se senta diante do computador e assiste a um vídeo da comédia de humor negro “Três Anúncios Para Um Crime”.

Os numerosos palavrões do premiado filme não abalaram a integrante de 66 anos da congregação Filhas de São Paulo. Sentada em uma mesa rodeada de cartazes inspiradores, uma esteira e um boneco do papa Francisco, a religiosa classifica “Três Anúncios” como seu filme favorito de 2017.

“Se você vê o sofrimento que as pessoas passam, você tem que esperar alguma válvula de escape”, disse sobre a história de uma mãe revoltada que busca justiça pelo assassinato não resolvido de sua filha. “O filme é cheio de primorosos momentos de graça e humanidade —e é extremamente divertido!”

Em uma era na qual a influência dos críticos de cinema dá lugar ao burburinho das redes sociais e à aprovação dos fãs, a pequena irmã Rose vem atuando há 15 anos como uma intermediária entre os filmes e os católicos norte-americanos.

“Ela é como a nossa vanguarda para tudo ligado aos filmes”, disse Chris Heffron, co-editor-executivo da St. Anthony Messenger, uma revista mensal que tem cerca de 400 mil visitantes mensais em seu site e publica uma coluna da irmã Rose.

O cinema sempre teve um papel de destaque na vida de irmã Rose, que na adolescência decidiu se tornar freira em parte por causa da cinebiografia “A Canção de Bernadette”, sobre Santa Bernadette, e a comédia “Anjos Rebeldes”, que se passa em uma escola católica.

Esse amor pelos filmes anda de mãos dadas com a ordem religiosa Filhas de São Paulo, cujos membros atuais adotou a hashtag “#MediaNuns” (FreirasDaMídia) em sua missão de conectar as pessoas à Igreja por meio da mídia.

A irmã Rose, que atua como diretora do Centro Paulino de Estudos da Mídia de Culver City, no Estado da Califórnia, e também escreve para o jornal quinzenal National Catholic Reporter, se vê como uma “mediadora do cinema” para o catolicismo.

Suas resenhas não se limitam a títulos religiosos ou voltados à família, cobrindo desde “Sex and the City 2” a sucessos de super-heróis e produções independentes.

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