June 6, 2018 / 7:12 PM / 4 months ago

ESTREIAS-Aventura cômica "Oito Mulheres e um Segredo" é destaque nos cinemas

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam no país na quinta-feira:

Atrizes Blanchett, Awkwafina, Paulson, Hathaway, Bullock, Kaling, Bonham Carter e Rihanna posam em Nova York 5/6/2018 REUTERS/Mike Segar

“OITO MULHERES E UM SEGREDO”

- A franquia criada em 2001 por Steven Soderbergh em “Onze Homens e um Segredo” é reinventada no feminino por Gary Ross nesta excelente aventura cômica de ação. O capricho começa no elenco estelar, começando por Sandra Bullock, na pele da trambiqueira Debbie Ocean. Ela acaba de cumprir cinco anos de prisão, em que pensou apenas numa vingança contra o ex-namorado que a entregou (Richard Armitage) e num golpe milionário, que lhe permita voltar à ativa, fazendo jus à tradição malandra do clã Ocean – agora que seu irmão, Danny (George Clooney), está supostamente morto.

Para realizar seu plano, que visa roubar um precioso colar de diamantes num jantar de gala no museu Metropolitan em Nova York, Debbie precisa das melhores especialistas, o que inclui sua parceira Lou Miller (Cate Blanchett), uma hacker (Rihanna), uma receptadora (Sarah Paulsen), uma golpista de dedos leves (Awkwafina) e uma joalheira (Mindy Kaling). Mas, para tudo acontecer como deve, será indispensável a participação de uma celebridade (Anne Hathaway) e uma estilista em baixa (Helena Bonham Carter). Com um bom roteiro e ritmo na medida, o resultado é muito divertido e faz prever sequências.

“AS BOAS MANEIRAS”

- Grande vencedor do Festival do Rio 2017, além de um prêmio do júri em Locarno, o novo trabalho da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra (“Trabalhar Cansa”) é um passo mais seguro na composição de um filme de gênero, no caso, o terror.

Clara (Isabél Zuaa) é uma ex-enfermeira que procura emprego como babá na casa de uma mulher, Ana (Marjorie Estiano), que está no final da gravidez. O clima de estranheza se estabelece aos poucos, quando fica evidente para Clara que sua patroa é afetada por fenômenos estranhos em noites de lua cheia. A história se desenvolve num crescendo de tensão, infiltrada de humor negro, nesta evolução do relacionamento entre as duas mulheres, até o nascimento da criança. Nesta parte está o melhor do filme, que passa por uma espécie de recomeço depois do surgimento da criança, sendo então afetado por alguns excessos anticlimáticos.

De toda forma, é um trabalho muito interessante na carreira de dois diretores que vale a pena seguir. 

“A MORTE DE STÁLIN”

- Baseado na HQ francesa de Fabien Nury e Thierry Robin, esta sátira dirigida por Armando Iannucci é um comentário sobre as maquinações políticas não apenas da antiga União Soviética, mas sobre todas as disputas e traições que emergem diante competição pelo poder.

O ponto da partida, como indica o título, é a morte de Josef Stálin (Adrian McLoughlin), em 1953. A partir daí, os altos escalões do Partido Comunista fingidamente choram a perda do seu líder enquanto maquinam como cada um deles pode tomar o seu lugar. Entre uma reunião de portas fechadíssimas e outra, o filme descortina a hipocrisia dos bastidores políticos.

Iannucci criou um filme engraçado em seu cinismo, e sagaz em seu retrato do jogo político. Não há uma nota fora do lugar, e o grupo formado pelos aspirantes ao posto – entre eles, Gregory Malakov (Jeffrey Tambor), Vyacheslav Molotov (Michael Palin) e Nikita Krushev (Steve Buscemi) – são a imagem de tudo de ruim que pode vir à tona quando se aspira ao poder sem limites.

“UM DIA PARA VIVER”

- Ethan Hawke interpreta Travis Conrad, um matador de aluguel aposentado que é procurado por um antigo colega (Paul Anderson) com uma proposta: receber uma fortuna para matar uma agente da Interpol (Qing Xu) e uma testemunha (Tyrone Keogh) que vai depor contra a empresa em que trabalhou, a Montanha Vermelha.

Nem tudo é o que parece no filme dirigido pelo ex-dublê Brian Smrz, embora o longa seja exatamente o que se pode notar à primeira vista: uma cria genérica de filmes dos anos de 1980, repleto de tiroteios e sangue. Conrad troca tiros com a agente e morre. Minutos depois, é ressuscitado pela Montanha Vermelha, que desenvolveu um programa especial para fazer isso.

A partir de agora, ele tem apenas 24 horas de vida para liquidar os seus alvos, mas nesse tempo também descobrirá quem são os verdadeiros vilões. O filme não poderia ser mais sem graça, mas é de se dar crédito a Hawke pela disposição a pronunciar diálogos insólitos e passar por situações estapafúrdias sem cair na gargalhada.

“ANNA KARENINA – A HISTÓRIA DE VRONSKY”

- Muitas vezes filmada, a história de Anna Karenina, a imortal personagem do romance homônimo do autor russo Liev Tolstói, ganha um novo enfoque no drama do diretor russo Karen Shakhnazarov.

O ponto de vista do trágico triângulo amoroso do livro aqui é o do amante, o conde Alexei Vronsky (Maksim Mateyev). O roteiro, assinado por Shakhnazarov e Yuri Poteenko, inspira-se, assim, não só no romance como também no conto “Notas de um médico sobre a guerra russo-japonesa”, de Vikenty Veresaev, desenvolvendo a narrativa a partir de um encontro de Vronsky com o filho dela, o médico Sergei Karenin (Kirill Grebenshchikov), 30 anos depois da ligação com Anna.

O ano é 1904, o lugar, um vilarejo da Manchúria, onde tropas russas se refugiam após um combate contra os japoneses. Karenin, o oficial médico mais graduado, identifica, num dos feridos, o homem que causou a ruína de sua vida familiar, quando ele, Sergei, ainda era um menino.

Contando com uma esplêndida direção da arte, fotografia e efeitos especiais, Shakhnazarov mostra segurança na condução de uma história conhecida, filtrando sua dramaticidade pelo olhar de um personagem tido como vilão, a quem, se não absolve, humaniza.

(Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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