October 3, 2018 / 7:54 PM / 2 months ago

ESTREAIS-Aventuras “Venom" e “Papillon" e comédia romântica “Juliet Nua e Crua” chegam aos cinemas

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam no país na quinta-feira:

Hardy, astro de "Venom", em Los Angeles 1/10/2018 REUTERS/Mario Anzuoni

“VENOM”

- Personagem do universo do Homem-Aranha, Venom ganha seu próprio filme. Interpretado pelo ator inglês Tom Hardy, no duplo papel do jornalista Eddie Brock, cujo corpo é invadido pelo alienígena Venom, ele se torna o herói mais peculiar no universo Marvel, por sua natureza ambígua e por hábitos pouco ortodoxos de alimentação.

O repórter Eddie investigava os podres escondidos da Fundação Vida, dirigida pelo estranho Carlton Drake (Riz Ahmed), quando é demitido. Por baixo, depois de perder o emprego e a noiva Anne (Michelle Williams), ele tem outra chance de dar uma espiada em atividades clandestinas da fundação – o que inclui experiências com formas de vida extraterrestres e cobaias humanas. Numa dessas, ele mesmo acaba se tornando um “simbionte”, ou seja, hospedeiro de um alienígena, com quem tem uma relação cheia de altos e baixos.

Poucos atores, fora Tom Hardy, conseguiriam manter o carisma e extrair humor de diversas situações que ficam, claramente, no limite do nojento. Mas o diretor Ruben Fleischer administra bem essa exposição sinistra, contrabalançada por sequências de ação eletrizantes – como uma perseguição entre a moto de Eddie, carros e drones pelas ladeiras de San Francisco. E que ninguém saia antes do final dos créditos, porque duas surpresas aguardam os mais pacientes.

“PAPILLON”

- A nova versão de “Papillon”, dirigida pelo dinamarquês Michael Noer, segue mais ou menos os passos da clássica, de 1973, com poucas mudanças. Charlie Hunnam e Rami Malek assumee os papéis que foram de Steve McQueen e Dustin Hoffman, como dois franceses mandados para uma colônia penal na Guiana.

Hunnam é Papillon – apelido que ganhou por causa da borboleta tatuada no peito –, condenado injustamente por um assassinato. Já na viagem para a América do Sul, conhece Dega (Malek), condenado por fraude, e jura que fugirá do presídio, apesar da terrível fama do lugar, de onde se diz ser impossível escapar.

Baseado numa história real, “Papillon” continua sendo uma ode à resiliência humana e ao espírito de liberdade, que toca o seu protagonista. As cenas de crueldade penitenciária ainda são fortes e a dupla de atores têm boa presença em cena. Mas Noer é mais modesto em sua ambição e seu filme jamais atinge o tom épico que garantiu a força do original.

“PONTO CEGO”

- Este é um filme que tem a urgência do momento. É uma combinação de comédia e drama que toca fundo a questão racial em tom de hip hop, com duas performances viscerais de seus protagonistas e roteiristas, Rafael Casal e Daveed Diggs, sob a direção de Carlos López Estrada, estreante em longas.

Faltam poucos dias para acabar a condicional de Collin (Diggs), mas ele é negro e vive numa região onde a polícia toma qualquer afro-descendente como suspeito, por isso é preciso cautela. Nesse momento, ele reavalia sua amizade com Miles (Casal), um sujeito nervosinho, que coloca a liberdade do outro em risco.

López Estrada retoma os temas caros ao gênero, e investiga com sobriedade e pungência a questão racial nos EUA – com influências desde “Faça a Coisa Certa” a “Fruitvale Station”. E, ao lado de “Infiltrado na Klan”, novo e ainda inédito filme de Spike Lee (previsto para estrear aqui em novembro), é um dos longas mais relevantes sobre o assunto este ano.

“JULIET NUA E CRUA”

- Baseado em romance do inglês Nick Hornby, a comédia “Juliet, Nua e Crua” é basicamente aquilo que se espera de um livro dele, e não muito além disso. A trama tem como protagonista Annie (Rose Byrne) que está na casa dos 40 anos, casada e entediada. Seu parceiro de longuíssima data, Duncan (Chris O’Dowd), é um professor universitário obcecado por um astro do rock americano, Tucker Crowe (Ethan Hawke), que desapareceu sem deixar vestígios.

Uma série de acontecimentos inesperados leva a protagonista a trocar emails com o ídolo do seu marido, e sem que ele saiba, a vida dos três se transforma. Quando Tucker vai à Inglaterra, a possibilidade de um romance entre os dois torna-se real.

A comédia romântica de Jesse Peretz seria totalmente descartável não fosse a presença luminosa de Byrne, que consegue extrair vida da mesmice de sua personagem. Falta ao filme, no entanto, algo de especial além da presença da atriz.

“MARE NOSTRUM”

- Ricardo Elias é um diretor interessado, em sua obra, particularmente com a ocupação de espaços e deslocamentos, desde seu longa de estreia, o premiado “De Passagem” (2003). Em “Mare Nostrum”, o foco está na disputa pela posse de um terreno no litoral paulista.

Roberto (Silvio Guindane) é um jornalista que volta da Espanha depois de uma tentativa frustrada de carreira. Sem dinheiro e com dívidas, descobre que o pai comprou um terreno na praia, e vendê-lo é uma possibilidade. No entanto, a escritura ainda está em nome do antigo dono e, para regularizar a situação, seu filho, Mitsuo (Ricardo Oshiro), pede dinheiro.

Elias cria uma situação em que o terreno se torna a tábua de salvação para os dois personagens. Entre idas e vindas de SP e o litoral, o filme começa a inserir elementos fantásticos que acrescentam uma nova camada à narrativa, fazendo assim um retrato delicado da crise financeira e social do país.

(Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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