November 21, 2018 / 4:49 PM / a year ago

ESTREIAS–Filme premiado de Spike Lee e suspenses brasileiros chegam aos cinemas

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam no país nesta quinta-feira:

Spike Lee em Hollywood 18/11/2018 REUTERS/Mario Anzuoni

“INFILTRADO NA KLAN”

- Spike Lee venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2018 com esta história extraordinária, incrivelmente inspirada em fatos reais e retratada com toda garra pelo diretor de “Faça a Coisa Certa” e “Malcolm X”.

Baseado no livro de Ron Stallworth, o enredo focaliza a incrível experiência deste que foi o primeiro policial afro-americano de um departamento em Colorado Springs que bolou, nos anos 1970, uma ousada infiltração na proscrita, mas nunca extinta, Ku Klux Klan.

Falando por telefone com sua seção local, Ron (John David Washington, filho de Denzel Washington) convence esse ninho do extremismo branco de que odeia negros e judeus na mesma medida, portanto, de que ele é um deles – usando todo vocabulário intolerante e odioso que faz a turma do capuz branco sentir-se em casa.

Evidentemente, Ron, um negro de cabeleira afro, nunca poderia comparecer pessoalmente às reuniões do Klan para tornar-se um novo sócio. A saída é infiltrar um colega branco e que, por coincidência, é judeu, Flip (Adam Driver), outro grupo odiado pela Klan. Parece mentira mas aconteceu – a vida real, não raro, é mais louca do que a ficção.

“SEQUESTRO RELÂMPAGO”

- A diretora paulista Tata Amaral se arrisca pelo território do suspense, gênero pouco explorado pelo cinema nacional, compondo em “Sequestro Relâmpago” um filme concentrado no tempo e no espaço – uma única noite, na cidade de São Paulo. A história gira em torno de três figuras: a vítima, Isabel (Marina Ruy Barbosa), Matheus (Sidney Santiago Kuanza) e “Japonês” (Daniel Rocha), dois sequestradores que não se conheciam e apenas se juntaram para o golpe.

Cineasta urbana por excelência, Tata sabe tomar o pulso de uma situação como esta, tipicamente brasileira, mas não se limita a criar tensão de clima policial – ainda que ele também exista. Num roteiro assinado por ela, ao lado de Marton Olympio e Henrique Pinto, há lugar também para situar conflitos de classe, sem pretender com isso esvaziar o aspecto criminoso da questão. É um equilíbrio difícil, mas não se esperaria outra coisa que uma ambição maior da diretora que estreou justamente com um longa retratando uma situação de sequestro, o impactante e premiado “Um Céu de Estrelas” (1996).

“O SEGREDO DE DAVI”

Freud e “O Sexto Sentido” se encontram no suspense nacional “O Segredo de Davi”. Nicolas Prattes é o personagem do título, um estudante de cinema morando em São Paulo que se torna um serial killer, filma os assassinatos sanguinolentos que comete e depois os coloca na internet anonimamente.

Davi é, basicamente, o clichê ambulante desse tipo de personagem: tímido e com poucos amigos, sempre com sua câmera na mão para filmar as pessoas anonimamente. Depois de matar uma mulher (Neusa Maria Faro), o fantasma dela passa a cuidar dele como uma babá. Nessa mesma época, um novo colega de escola (André Hendges) parece querer seduzir o rapaz.

Escrito e dirigido por Diego Freitas, o longa tem uma trama um tanto rocambolesca, com flashbacks que quebram o ritmo da narrativa. O diretor mostra talento, mas o roteiro precisava ser mais lapidado – há situações completamente implausíveis. Além disso, falta ao protagonista um pouco mais de profundidade.

“A VOZ DO SILÊNCIO”

- As histórias de várias pessoas que se cruzam pelas ruas da cidade de São Paulo fornecem o fio condutor de “A Voz do Silêncio”, drama de André Ristum que saiu com dois prêmios do Festival de Gramado 2018 – melhor direção e melhor montagem (Gustavo Giani).

Raquel (Stephanie de Jongh) trabalha numa boate decadente no centro da cidade. Na verdade, ela quer ser cantora, mas os frequentadores locais se interessam bem mais pelo seu desempenho no pole dancing do que por sua voz. Sua mãe, Maria Claudia (Marieta Severo), vive fechada no apartamento, assistindo TV dia e noite. A mãe só tem elogios para Alex (Arlindo Lopes), filho distante que lhe envia cartões postais de todo o mundo – mas, na verdade, ele está bem perto, trabalhando num serviço de telemarketing. Há um jogo de verdades e mentiras nesta família, que projeta uma situação social precária, assim como os outros personagens.

“REFÉM DO JOGO”

- “Refém do Jogo” é um filme sobre terrorismo, provavelmente o mais ingênuo e menos político feito sobre o assunto recentemente. Seu objetivo claro é chegar a uma versão de “Duro de Matar” num estádio de futebol, protagonizado por Dave Bautista, o fortão da vez, vindo da fama de “Os Guardiões da Galáxia”.

Ele interpreta um ex-militar norte-americano consumido pela culpa pela morte de vários soldados no Afeganistão. Ele vai à Inglaterra visitar a família de seu melhor amigo, morto naquele país, e leva a filha do rapaz à final do campeonato europeu. Nesse mesmo dia, um grupo de rebeldes russos ameaça explodir o estádio, por conta de um traidor, dado como morto, que está lá.

Além de plantar bombas, os vilões também conseguiram impedir qualquer contato com o mundo de fora do estádio. Como as autoridades não podem entrar, caberá ao personagem de Bautista acabar com os terroristas no braço. E, para isso, inegavelmente, ele tem tamanho.

(Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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