May 13, 2019 / 4:50 PM / 3 months ago

Artista polonês usa romance gráfico para contar vidas de sobreviventes do Holocausto

Romance gráfico sobre os horrores de um campo de concentração durante o Holocausto na Polônia 11/05/2019 REUTERS/Robert Furmanczuk

LUBLIN, Polônia (Reuters) - Um artista polonês deu vida aos horrores do Holocausto em um romance gráfico baseado em depoimentos de sobreviventes que foi lançado para marcar o 75º aniversário de um museu erguido no local do campo de concentração em que foram internados.

“Chleb wolnosciowy”, ou “O Pão da Liberdade”, combina os relatos de 11 prisioneiros do campo de Majdanek, no leste da Polônia, onde se estima que 80 mil pessoas, a maioria judeus, morreram. No total, mais de 3 milhões de judeus poloneses morreram no Holocausto.

“Eu quis contar histórias verdadeiras, assim como... hoje em dia muitas vezes também não queremos ver coisas que nos dizem respeito. Semelhantemente, naqueles dias o mundo não queria ver o que estava acontecendo nos campos”, disse o criador da obra, Pawel Piechnik, à Reuters.

A frase “Chleb wolnosciowy” era usada por prisioneiros do campo para se referirem ao pão cozido do lado de fora, o que evocava seu anseio pelo lar.

“(O livro) mostra as condições bestiais nas quais os cativos eram mantidos, mas também mostra que, mesmo diante da fome, eles conseguiam demonstrar empatia, cooperação (e) compaixão”, disse Agnieszka Kowalczyk-Nowak, assessora de imprensa do Museu Estatal de Majdanek.

O museu foi fundado em novembro de 1944, poucos meses depois de os nazistas liquidarem o campo nas cercanias de Lublin devido à aproximação das forças soviéticas.

Quinze placas com páginas do livro foram erigidas no centro da cidade de Lublin, e o formato do romance gráfico chamou a atenção de quem passava.

“As pessoas precisavam ser tocadas por meio de imagens... o texto pode não ser interessante para (a próxima geração)”, disse Paulina Szyszko, estudante de graduação de 18 anos.

“... Talvez tenha o potencial de ficar na memória e tocá-las mais profundamente à sua maneira”.

Por Robert Furmanczuk

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