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Fotos tiradas durante isolamento documentam desigualdades na África do Sul

JOHANESBURGO (Thomson Reuters Foundation) - Um segurança apoia um espingarda no corpo no centro da cidade de Johanesburgo de olho em um sem-teto que carrega uma sacola de alimento nos ombros enquanto libera a área.

Comunida de Kayamandi, perto de Stellenbosch, África do Sul 12/8/2020 REUTERS/Mike Hutchings

A imagem captura uma das inúmeras desigualdades cotidianas que a fotógrafa sul-africana Gulshan Khan está documentando durante a pandemia de coronavírus.

Do policiamento truculento aos edifícios abandonados transformados em abrigos de sem-teto, Khan está usando seus seguidores virtuais e o reconhecimento recente proporcionado por prêmios internacionais para destacar as divisões espaciais e raciais do país.

“A classificação e a segregação por raça do apartheid demoliram muito de nossa herança rica, e minha fotografia interroga a normalização disto”, disse ela à Thomson Reuters Foundation.

“Estas injustiças afetam mais as pessoas negras pobres”, afirmou durante uma entrevista por telefone.

Mais de duas décadas após o fim do comando da minoria branca, a África do Sul continua sendo uma das nações mais desiguais do mundo, de acordo com o Banco Mundial.

Uma das séries de fotos de Khan ressalta um incêndio que se alastrou por um subúrbio de Johanesburgo depois que um posto de eletricidade caiu sobre barracos lotados.

“Vinte e cinco anos após a democracia, a África do Sul ainda tem dificuldades com a disponibilização de serviços básicos e de moradia... as impressões duradouras do colonialismo e do apartheid”, escreve ela juntamente com a série em seu site.

O isolamento recente exacerbou estas desigualdades, disse Khan.

Quando os sul-africanos foram orientados a manter o distanciamento social e lavar as mãos para conter o vírus, grupos de ativistas reagiram, observando que isso é quase impossível para moradores de subúrbios lotados.

A presença policial nestas vizinhanças também aumentou durante o afrouxamento recente do isolamento, disse Khan, que incentiva seus seguidores nas redes sociais a documentarem abusos das autoridades através do sistema de monitoramento de violência virtual C19.

Khan está determinada a fotografar histórias de resistência que oferecem retratos das cidades “multiculturais, vibrantes, iguais” que ela vislumbra como possíveis no país.

“Quero mostrar que os sul-africanos estão sobrevivendo apesar de todos estes desafios. O sofrimento não é a única história a ser ouvida.”

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