9 de Fevereiro de 2008 / às 12:24 / 10 anos atrás

Ópera "Aída" vira musical de Elton John com letras em português

Por Fernanda Ezabella

<p>A tr&aacute;gica hist&oacute;ria de amor entre um capit&atilde;o eg&iacute;pcio e uma princesa n&uacute;bia, contada na famosa &oacute;pera de 1871 de Giuseppe Verdi, 'A&iacute;da', virou um popular musical com can&ccedil;&otilde;es de Elton John e letras em portugu&ecirc;s. A vers&atilde;o brasileira de 'A&iacute;da, Musical de Elton John e Tim Rice' estr&eacute;ia na pr&oacute;xima quinta-feira, no Teatro Cultura Art&iacute;stica, em S&atilde;o Paulo. Photo by Reuters (Handout)</p>

SÃO PAULO (Reuters) - A trágica história de amor entre um capitão egípcio e uma princesa núbia, contada na famosa ópera de 1871 de Giuseppe Verdi, “Aída”, será recriada pela segunda vez em menos de quatro meses em São Paulo, mas agora em clima ainda mais popular, com músicas de Elton John e letras em português.

“Aída, Musical de Elton John e Tim Rice” estréia na próxima quinta-feira, no Teatro Cultura Artística, após ficar quatro anos em cartaz na Broadway, receber quatro prêmios Tony e viajar por países como Itália, Alemanha e Japão.

A produção chega no embalo dos grandes espetáculos que tomaram conta da cidade. Só no momento, há dois musicais da Broadway em cartaz, “Miss Saigon” e “Os Produtores”. Em outubro do ano passado, uma versão suntuosa da ópera “Aída” foi encenada na cidade, com direito a show de pirotecnia.

Entre os musicais, a novidade de “Aída” é o clima de Egito antigo e as canções de Elton John, que vão do rock ao pop, com pitadas de blues e reggae.

Embora as letras de Tim Rice tenham sido traduzidas, as partituras são originais e interpretadas por uma orquestra de 15 músicos posicionados atrás do palco.

O musical, que encolheu a ópera de quatro atos para dois atos, conta a história da princesa núbia Aída, que se finge de escrava ao ser capturada pelo capitão egípcio Radamés.

Intrigado por sua bravura, Radamés livra Aída do trabalho pesado nas minas de cobre e a leva de presente como escrava para sua noiva, a princesa egípcia Amneris, dando início ao triângulo amoroso.

IRREVERÊNCIA

O elenco é composto por 35 atores, coristas e bailarinos -- número bem aquém ao da ópera, com cerca de 200 integrantes. O ator e cantor Saulo Vasconcelos, 34 anos, é um dos destaques, no papel do vilão Zoser, ministro do Faraó e pai de Radamés.

Saulo, que interpretou o papel título de “Fantasma da Ópera” e foi protagonista de “A Bela e a Fera”, assistiu à produção em Nova York há alguns anos e acredita que a versão brasileira consegue ter mais jogo de cintura.

“Os americanos têm uma frieza da técnica, e a gente consegue colocar mais alma na história”, afirmou Saulo Vasconcelos durante uma apresentação para a imprensa, na quinta-feira.

Outro toque brasileiro fica por conta do figurino de época criado por Rui Cortez. Pregadores de roupas e pazinhas de sorvete compõem detalhes das roupas dos escravos da Núbia, assim como as presilhas de cabelo brilhantes da túnica majestosa do faraó.

“Gosto de colocar elementos contemporâneos. Acho que por ser Elton John, dá para ter essa liberdade, essa irreverência”, disse Cortez. A dupla central, Aída e Radamés, é interpretada por dois atores e duas atrizes, que irão se revezar nas 32 apresentações agendadas até começo de abril. Uma delas é Andrea Marquee, 36 anos, que já fez “Hair” e “Rent”.

O orçamento de “Aída” é de 5 milhões de reais, sendo 3,9 milhões captados pela Lei Rouanet. A quantia é singela se comparada a um dos musicais mais caros já feito no Brasil, “Miss Saigon”, de 24 milhões de reais, mas está na média de espetáculos como “Chicago” (4 milhões de reais).

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