16 de Maio de 2008 / às 14:33 / em 10 anos

ESTRÉIA-Julie Christie é paciente com Alzheimer em "Longe Dela"

SÃO PAULO (Reuters) - Os mistérios que existem por trás da mente humana e do casamento são a força que guia “Longe Dela”, que chega aos cinemas de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Santos e Curitiba.

<p>Julie Christie &eacute; paciente com Alzheimer em 'Longe Dela'. Os mist&eacute;rios que existem por tr&aacute;s da mente humana e do casamento s&atilde;o a for&ccedil;a que guia 'Longe Dela', que chega aos cinemas de S&atilde;o Paulo, Rio, Porto Alegre, Santos e Curitiba. Foto do Arquivo. Photo by Lucas Jackson</p>

O drama marca a estréia na direção da atriz canadense Sarah Polley (“O Doce Amanhã”, “Minha Vida Sem Mim”), e apresenta ao mundo uma cineasta jovem que dirige com a segurança de veteranos, e com a coragem de abordar um tema complexo.

A atriz inglesa Julie Christie, dona de uma reconhecida carreira de mais de 40 anos, que inclui filmes como “Doutor Jivago” e “Em Busca da Terra do Nunca”, parece ter sido redescoberta com seu trabalho nesse filme.

A interpretação lhe rendeu sua quarta indicação ao Oscar -- ela perdeu para a francesa Marion Cotillard, de “Piaf -- Um Hino ao Amor” -- além de um Globo de Ouro, entre outros prêmios.

Esse merecido reconhecimento decorre da emoção que ela transmite para interpretar Fiona, uma mulher que está perdendo contato com a realidade por causa do mal de Alzheimer. Ela começa a fazer coisas estranhas, como não encontrar o caminho de casa ou guardar uma frigideira no freezer.

<p>Cena do filme Longe Dela, que estr&eacute;ia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros. (Divulga&ccedil;&atilde;o) Photo by $Byline$</p>

“Parece que estou sumindo aos poucos”, confessa. E seu casamento com Grant (Gordon Pinsent, de “Chegadas e Partidas”) segue o mesmo caminho.

O roteiro -- assinado pela diretora e indicado ao Oscar -- utiliza a mesma narrativa fragmentada do conto “The Bear Came Over the Mountain”, de Alice Munro, no qual é baseado. Por isso, depois que Fiona já está internada numa clínica onde receberá os devidos cuidados, descobre-se que o casamento que parecia tão perfeito escondeu algumas mentiras ao longo dos anos.

Em alguns momentos, em suas visitas diárias, Grant desconfia de que Fiona possa estar fingindo, apenas para puni-lo por aventuras do passado. E ela acaba se “apaixonando” por Aubrey (Michael Murphy), outro paciente da clínica que vive numa cadeira de rodas e não consegue falar. Essa nova amizade desperta ciúme, sentimento que parece nunca ter existido, em Grant.

Aubrey, descobre-se, também é casado e a mulher dele (Olympia Dukakis, de “Eu e as Mulheres”) não gosta muito do que está acontecendo entre ele e Fiona, para quem a perda do “novo namorado” pode ser extremamente dolorosa. Caberá a Grant um ato de extremo altruísmo para preservar sua mulher.

Com um tema tão pesado e calcado exclusivamente nos personagens, “Longe Dela” poderia facilmente transformar-se num dramalhão choroso e superficial. Mas a canadense Alice Munro não é uma escritora dada a esse tipo de tratamento. A força de suas histórias está nos detalhes e nas sutilezas dos relacionamentos humanos. E é exatamente nisso que Sarah procura destacar no filme.

“Longe Dela” é um filme que fala sobre amor e casamento com honestidade pouco vista no cinema nos últimos tempos. Cercada por um elenco competente, Sarah Polley faz uma estréia promissora direção com um filme inteligente e ao mesmo tempo sensível.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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