23 de Janeiro de 2008 / às 10:28 / 10 anos atrás

Estrangeiros dispensam lazer e pagam para ajudar Mangueira

Por Andrei Khalip e Pedro Fonseca

<p>Inglesa Rebecca Vitkovitch prepara adornos para fantasias da escola de samba Mangueira, no barrac&atilde;o da equipe, na Cidade do Samba, no Rio de Janeiro. Foto tirada em 21 de janeiro de Photo by Sergio Moraes</p>

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Aplicar lantejoulas em fantasias, e pagar por isso, não parece ser a diversão ideal para as férias.

Mas, para um grupo de jovens estrangeiros, a maioria britânicos, trabalhar no barracão da Mangueira para o Carnaval deste ano representa uma oportunidade de experimentar o verdadeiro sentimento da festa.

“Queria ver o lado normal do Rio, eu não queria ser simplesmente uma turista”, disse à Reuters Sarah Wilton, estudante de arte de 19 anos e garçonete na cidade inglesa de Derbyshire, enquanto adornava um adereço representando a cabeça de um touro verde com chifres lilás.

A menos de duas semanas dos desfiles na Marquês de Sapucaí, os turistas voluntários pagam em média 49 dólares (cerca de 88 reais) por dia para trabalhar no abafado barracão da escola de samba, onde ajudam na confecção de fantasias.

Enquanto milhares de turistas invadem a cidade para o Carnaval, os voluntários garantem que não há melhor forma de aprender sobre a cultura e conhecer os cariocas do que trabalhando nas escolas.

“O Carnaval é algo grandioso, você ouve falar do Carnaval do Rio desde pequeno”, disse Rebecca Vitkovitch, 18 anos, que também trabalha como garçonete na Inglaterra.

“Você é apenas uma pequena parte disso, mas é uma pequena parte de uma longa corrente, um longo processo, então é realmente bom estar aqui.”

Sarah, que desde dezembro participa da produção do desfile da escola, acrescentou: “O que eu mais gosto é das pessoas. Elas são realmente amigáveis, são divertidas... Eu me sinto cuidada, mesmo sem entender o que eles estão dizendo.”

Luis Felipe Murray é o coordenador do grupo sem fins lucrativos I-to-I, que há dois anos traz voluntários estrangeiros para trabalhar em barracões de escolas na Cidade do Samba.

“Ano passado nós tivemos duas pessoas, agora temos 17 trabalhando em duas escolas de samba. Para o próximo ano, estamos fazendo acertos com três ou quatro escolas, porque a demanda está aumentando”, disse Murray.

Surjit Singh, de 27 anos, comissário de bordo inglês da Virgin Atlantic, disse que estava contente com a hospedagem e programação conseguidas por 700 dólares com o I-to-I, sem passagem aérea.

O albergue onde está hospedado em Santa Tereza tem vista para o Cristo Redentor e ele ainda dá aulas de surfe para jovens carentes da cidade, como parte do programa.

Mesmo com todo o trabalho duro, os voluntários ainda pretendem ter diversão. “Eu vou desfilar com a Mangueira. Quero estar em um dos carros alegóricos da escola”, disse Singh.

Edição de Fernanda Ezabella

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