26 de Junho de 2008 / às 13:55 / em 9 anos

ENTREVISTA-Neil Young lança documentário sobre shows antiguerra

Por Wes Orshoski

<p>Neil Young lan&ccedil;a filme sobre shows contra guerra. O m&uacute;sico Neil Young em imagem de arquivo. Em 2006, ap&oacute;s ter um aneurisma quase fatal, Young ficou t&atilde;o engajado contra a guerra no Iraque que escreveu, gravou e lan&ccedil;ou rapidamente o disco de protesto 'Living With War'. 8 de fevereiro. Photo by Hannibal Hanschke</p>

NOVA YORK (Billboard) - Em 2006, após ter um aneurisma quase fatal, o músico Neil Young ficou tão engajado contra a guerra no Iraque que escreveu, gravou e lançou rapidamente o disco de protesto “Living With War” (vivendo com a guerra).

Menos de dois meses depois do lançamento do disco, seu grupo Crosby, Stills, Nash & Young começou uma turnê chamada Freedom of Speech (Liberdade de Expressão), na qual os fãs que esperavam a faceta delicada da banda deram de cara com seu lado mais agressivo.

Em um show de mais de três horas, a banda tocava quase todas as faixas de “Living with War” e muitos dos hinos políticos que construíram as suas figuras legendária, como “Ohio”, “Military Madness” e “Found the Cost of Freedom”. Apesar das raízes antiestablishment da banda, muitos fãs se irritaram com a postura. Outros se sentiram atraídos.

O documentário “CSNY: Deja Vu” retrata tanto os fãs que saudaram os esforços do grupo como aqueles que se sentiram traídos, além de apresentar veteranos do Iraque que hoje protestam contra a guerra com música, atos políticos e trabalhos sociais.

Dirigido por Young (que usa o codinome Bernard Shakey), o documentário estréia nos cinemas norte-americanos no dia 25 de julho e contém trechos de shows, bastidores e notícias criadas por Mike Cerre, correspondente do canal ABC.

Young, 62, falou com a Billboard sobre o filme.

Pergunta -- No filme, um fã de Atlanta o xinga e diz que quer arrebentar seus dentes por causa das canções antiguerra e contra o presidente George W. Bush. Como você reagiu na primeira vez que assistiu a essa cena?

Resposta -- Bom, sabíamos que isso ia acontecer. Não foi a primeira vez. Aconteceu em muitos lugares. Mas Atlanta teve muita força. Eles eram muito passionais no modo como se sentiam a respeito de nós termos, você sabe... Passado do limite e nos intrometido em algo em que eles acreditavam fortemente. Então você tem de respeitar as pessoas, mesmo que elas estejam enlouquecidas. Elas têm suas crenças. Então tivemos de usar (a cena), porque estamos tentando contar a história toda. Houve responsabilidade jornalística.

P -- Ao assistir o filme e recordar-se das reações negativas do público, há algum rosto ou dedo médio que tenha ficado gravado na sua memória?

R -- Eu me lembro de alguns rostos. Há um rapaz de quem me lembro bem, mas ele não está no filme. Mas me lembro de muita coisa de todas as turnês. Esta teve momentos angustiantes. Não é uma experiência que gostaria de repetir.

P -- Por quê?

R -- Acho que, se fizéssemos esse tipo de coisa para o resto da vida, eu viraria a CNN e eu não respeito muito isso. É fazer sempre a mesma coisa. Não vejo necessidade disso. Gosto de ter um programa de longa duração, não um segmento repetitivo.

P -- No filme, Graham Nash fala sobre quando ouviu “Living with War” pela primeira vez e teve de decidir se participaria da turnê. Houve alguma vez em que você sentiu que levava Crosby, Stills e Graham para algo prejudicial? Obviamente, vocês tocam para públicos diferentes e fazer turnê com eles não é como pregar para um rebanho.

R -- Acho que sim, porque eles foram doces por um bom tempo e não faziam nada disso. Mas, se você vir as raízes, se olhar a música original, como “Military Madness” e “Ohio”, elas têm raízes na mesma mensagem. Só que agora é diferente. Eles têm um histórico e eu pensei que isso era bom porque voltavam às raízes.

Eles cantam muitas músicas de amor, muitas músicas de que as pessoas gostam. Mas esses caras curtiram 100 por cento. O Stephen não gosta que as pessoas não gostem dele e eu o respeito. Ele é muito sensível, eu o entendo, mas mesmo assim queria fazer isso. Ele disse: ‘Sim, vamos fazer’ e tocou com seu coração. Mas falava: ‘Olha, é como um desenho animado político...’ Ele sempre tentava aliviar as coisas. Mas acho que ele acreditava no que fazia, senão não estaria conosco.

Já Crosby e Nash estavam lá desde o começo porque não ligam muito para a reação do público. Eles não são tão preocupados porque cantam sobre coisas que importam para eles. E eles concordavam com as músicas, queriam cantá-las.

P -- No filme, você fala que não cantava “Ohio” há anos, porque não queria que ela virasse mercadoria...

R -- Penso assim desde o começo. Mas, nesta turnê, o contexto era histórico, então tocamos. Fiz muitas turnês com a banda e não tocávamos essa música. Era raro. Crosby adora essa música, quer tocá-la toda noite. Eu não consigo. É sobre pessoas que morreram, pessoas que possivelmente eram nosso público. Poderiam estar na primeira fila dos nossos shows. Eram estudantes. É pra quem a gente toca.

P -- O que você espera com o lançamento do filme e do DVD?

R -- Discussão. Debate. Fóruns. Você vai ver o que vai acontecer quando esse filme sair na Internet. Você vai ver as pessoas falando. Será interessante. Vai abrir portas, é isso o que a música faz. Acontece em todos públicos.

P -- Você se decepciona com a sua geração? Foi essa a razão pela qual você fez a turnê?

R -- Na verdade, sou encorajado por minha geração, porque ela ainda se lembra de muita coisa. Eles tentaram avançar. Os jovens de hoje, que estão na escola, não são ameaçados como minha geração foi. Os jovens hoje pensam: ‘Vou trabalhar para o Google? Serei sortudo o suficiente para trabalhar para o Google? Para quem vou trabalhar? Talvez trabalhe para uma empresa ambiental. Talvez tenha um emprego bacana. Talvez seja designer, talvez faça moda. O que farei com a minha vida?’

Isso é diferente de: ‘Não quero ir para o Vietnã. Não quero ir para o Afeganistão. Não quero ir para o Paquistão.’ Se não há ameaça, não há protesto. Minha geração ainda tem o fogo. Ainda faz muito barulho por causa do Bush. Quando os vejo na platéia, não me decepciono. Fico orgulhoso, porque ainda estão lá. Ainda se lembram de como era.

P -- No disco, você agradece Bob Dylan pela inspiração. Você deu um CD para ele? Ele ouviu?

R -- Acho que não. Não dei um para ele. Imagino que ele tenha ouvido parte do disco. Pode ter ouvido tudo. Realmente não sei. Falei com ele alguns anos atrás, talvez um ano e meio. Ele gostou do show que fiz para nova Orleans na TV. Ele viu e me ligou para dizer que gostou. Eu também ligo para ele para dizer que ele é ótimo. Porque alguém tem que dizer. Você pode achar que todo mundo diz isso, mas eu não sei. Eu só quero mostrar como me sinto, porque adoro o cara. Acho que é um excelente artista. Aí, ele retornou o favor. Temos uma amizade.

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