2 de Maio de 2008 / às 12:43 / em 10 anos

ESTRÉIA-"Desonra" mostra preconceitos da sociedade japonesa

SÃO PAULO (Reuters) - “Desonra”, filme do diretor e roteirista Masahiro Kobayashi, traz um olhar crítico sobre alguns preconceitos da sociedade japonesa.

O filme, que estréia nesta quarta-feira, foi exibido na 29a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2005, com o título “Humilhação”.

Com base em relatos reais, o filme mostra como foi a recepção dos reféns japoneses sequestrados por rebeldes iraquianos em 2004, quando finalmente voltaram ao seu país.

Não apenas foram sistematicamente hostilizados em suas comunidades, como também viram seus familiares tornarem-se alvos de discriminação por parte de uma sociedade em que as tradições pesam fortemente.

Para ilustrar essa dramática situação, Kobayashi conta a história da personagem Yuko (Fusako Urabe), que recebe toda a sorte de insultos desde o início da história.

A moça é agredida verbalmente, por vezes até fisicamente, por seus antigos amigos e namorado, pelos colegas de trabalho -- do qual ela acaba demitida -- e por desconhecidos na rua.

Mesmo em sua casa, o tormento não tem fim. Sua mãe (Nenê Otsuka) não a defende, permanecendo omissa. O pai (Ryuzo Tanaka) dá a entender que está conformado com a situação, pedindo paciência à filha. Yuko isola-se em seu quarto, o único refúgio aparente.

De fato, o diretor não apresenta claramente o motivo da rejeição.

Entre os xingamentos e telefonemas anônimos perturbadores, seu perseguidores questionam a protagonista: “Você gosta de fazer o que quer, não?”. Presume-se, portanto, que a independência da protagonista, ao decidir viajar sozinha para o Iraque, para trabalhar como voluntária, foi uma afronta social.

Na visão dos que a perseguem, o sequestro, no fim, foi uma das punições que ela mereceu.

A escolha do diretor Kobayashi em não usar iluminação, trilha sonora ou cenografia, confere tom documental a tudo que se vê na tela.

No entanto, não se conta, por exemplo, que Yuko é uma composição a partir da história das três vítimas reais: a jovem pesquisadora Noriaki Imai, 18, o voluntário Nahoko Takato, 34, e o fotógrafo Soichiro Koriyama, 32.

Os três foram sequestrados em uma estrada que liga Amã a Bagdá, por um grupo que havia ameaçado matá-los caso o governo japonês se recusasse a retirar suas tropas do Iraque.

Dias depois, eles foram libertados e voltaram para o Japão, onde se tornariam párias sociais. Yuko é, assim, a memória dessas três vítimas.

Por Rodrigo Zavala, do Cineweb

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