6 de Outubro de 2008 / às 22:26 / em 9 anos

Temendo ataques, editora antecipa livro sobre esposa de Maomé

Por Edith Honan

NOVA YORK (Reuters) - Um polêmico romance sobre uma menina que se casou com o profeta Maomé chegou na segunda-feira às livrarias dos EUA, nove dias antes do previsto, depois de um ataque à sede da editora britânica da obra.

A Beaufort Books decidiu lançar “The Jewel of Medina” (“A Jóia de Medina”), da jornalista Sherry Jones, depois de o livro ser rejeitado em maio pela Random House, que temia as repercussões da publicação.

A tiragem inicial pela Beaufort deve ser de 40 mil exemplares, segundo a editora.

O romance conta a vida da menina Aisha desde seu noivado com Maomé, aos 6 anos, até a morte do fundador do Islã.

No dia 27, houve um incêndio na sede da editora Gibson Square Books, responsável pelo romance na Grã-Bretanha. Não houve feridos, e a polícia prendeu três pessoas sob suspeita de terrorismo. O lançamento na Grã-Bretanha foi adiado.

Eric Kampmann, presidente da Beaufort, disse que nem ele nem Jones, de 37 anos, receberam ameaças, e que ambos querem que o romance chegue às livrarias assim que possível.

“Sentimos que, diante do que estava acontecendo, era melhor para todos permitir que a conversa passe de uma conversa sobre terroristas e editores temerosos para uma conversa sobre os méritos do livro em si”, disse Kampmann em entrevista.

A Random House disse em agosto ter recebido “aconselhamentos não só de que a publicação desse livro poderia ser ofensiva para alguns na comunidade muçulmana, como também que poderia incitar a atos de violência por parte de um pequeno segmento radical”.

Houve uma reação negativa à decisão entre blogueiros e acadêmicos, mas muitos lembraram de casos anteriores em que obras sobre o Islã provocaram violência.

Em 2006, pelo menos 50 pessoas morreram em protestos e embaixadas dinamarquesas foram atacadas em países islâmicos devido à publicação, em um pequeno jornal da Dinamarca, de caricaturas irônicas ao Islã -- como aquela em que o turbante de Maomé aparecia substituído por uma bomba.

Em 1988, o regime islâmico do Irã condenou o escritor britânico Salman Rushdie à morte por seu livro “Os Versos Satânicos”, o que obrigou o autor a passar vários anos escondido.

Jones nunca esteve no Oriente Médio, mas passou anos estudando a história árabe e diz que seu romance é uma síntese do que aprendeu.

A Beaufort já havia provocado polêmica ao lançar o livro “If I Did It” (“Se eu tivesse feito”), em que o ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson fala do assassinato da sua mulher -- crime pelo qual fora absolvido num processo criminal. A editora Regan, ligada à HarperCollins, do grupo NewsCorp, havia decidido não lançar a obra devido à repercussão negativa.

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