9 de Dezembro de 2008 / às 12:53 / em 9 anos

EUA se negam a libertar fotógrafo da Reuters no Iraque

BAGDÁ (Reuters) - Os militares norte-americanos não se consideram obrigados a obedecer à ordem judicial iraquiana para libertar um fotógrafo freelance que trabalhava para a agência Reuters e o manterão preso até 2009, disse um porta-voz do Exército nesta terça-feira.

A Corte Criminal Central Iraquiana determinou em 30 de novembro que não havia provas que justificassem a detenção de Ibrahim Jassam Mohammed, que deveria portanto ser libertado da prisão do quartel Cropper, perto do aeroporto de Bagdá, onde os EUA o mantêm sob custódia desde setembro.

“Embora apreciemos a decisão da Corte Criminal Central do Iraque no caso Jassam, a decisão não nega a informação de inteligência que atualmente o lista como uma ameaça à segurança e à estabilidade do Iraque”, disse o major Neal Fisher, porta-voz das operações prisionais dos EUA no Iraque.

“Ele será processado para a libertação de maneira segura e ordeira depois de 31 de dezembro, conforme o seu nível individual de ameaça, junto com todos os outros detentos”, disse Fisher em email à Reuters.

“Como ele já tem uma decisão da CCCI, quando for a sua vez ele poderá responder ao processo em liberdade, sem ter de passar pelas cortes, como terão de fazer outros detentos em sua classificação de ameaça.”

Jassam foi preso no começo de setembro, quando soldados iraquianos e norte-americanos invadiram sua casa, na cidade de Mahmudiya. Seu equipamento fotográfico também foi confiscado. O profissional colabora com diversos veículos da imprensa iraquiana e também com a Reuters News, uma empresa do grupo Thomson Reuters.

Mahmudiya, 30 quilômetros ao sul de Bagdá, já foi uma das áreas mais violentas do Iraque, cenário de intensos confrontos sectários depois da invasão norte-americana de 2003. Nos últimos meses, a exemplo do que acontece em grande parte do Iraque, a segurança melhorou muito na cidade.

“Estou frustrado por ele não ter sido libertado em concordância com o mandado judicial”, disse na terça-feira o editor-chefe da Reuters News, David Schlesinger.

Na sentença do final de novembro, promotores iraquianos diziam ter questionado repetidamente os militares dos EUA a respeito de provas contra Jassam, sem que estas tivessem sido apresentadas.

Fisher disse que os militares dos EUA não têm obrigação de fornecer dados de inteligência militar a cortes iraquianas.

A situação jurídica mudará no ano que vem, quando entra em vigor um novo acordo de segurança entre EUA e Iraque, substituindo o atual mandato da ONU que norteia a presença militar estrangeira.

Pelo novo tratado, os militares dos EUA não poderão mais deter pessoas. A maioria das mais de 15 mil pessoas atualmente mantidas sob custódia norte-americana no Iraque terá de ser libertada por causa disso.

Reportagem de Michael Christie

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