3 de Fevereiro de 2009 / às 16:38 / em 9 anos

Criador de Asterix está em depressão devido a disputa familiar

Por James Mackenzie

<p>&uacute;lio C&eacute;sar tentou em v&atilde;o derrubar o &acirc;nimo de Asterix e seus companheiros num vilarejo gaul&ecirc;s, mas uma amarga disputa familiar est&aacute; provocando depress&atilde;o crescente no criador do ind&ocirc;mito guerreiro. REUTERS/Yves Herman</p>

PARIS (Reuters) - Júlio César tentou em vão derrubar o ânimo de Asterix e seus companheiros num vilarejo gaulês, mas uma amarga disputa familiar está provocando depressão crescente no criador do indômito guerreiro.

“Estes momentos têm sido dolorosos. Tenho passado noites sem dormir. Foi horrível”, disse Albert Uderzo ao Le Figaro, falando de uma disputa na qual sua própria filha o acusa de estar traindo o legado do herói que ele criou em 1959 com seu parceiro criativo Rene Goscinny.

A disputa veio a público no mês passado, quando a filha de Uderzo, Sylvie, publicou no Le Monde uma carta aberta criticando a decisão de seu pai, de 81 anos, de vender ao grupo Hachette sua participação na editora que publica as histórias sobre Asterix.

“É como se os portões do vilarejo gaulês tivessem sido abertos ao Império Romano”, ela escreveu.

Em resposta, Albert Uderzo disse que sua filha foi “cegada” por seu marido, Bernard Boyer de Choisy, antigo responsável por relações públicas da Albert Rene, editora que publica a série de Asterix, de imenso sucesso.

“Acho que Sylvie não é mais responsável por suas próprias decisões. Não nos falamos mais, e estou muito triste por isso”, disse ele.

Sylvie Uderzo, que é dona de 40 por cento da Albert Rene, disse que sua carta aberta foi motivada por sua preocupação com a qualidade da série.

Mas por trás da disputa também estão os lucrativos direitos a uma das mais bem sucedidas séries de histórias em quadrinhos, com 33 álbuns que já venderam 325 milhões de cópias em 107 línguas e dialetos.

Há também uma franquia de produtos relacionados, um parque temático nos arredores de Paris e oito filmes.

“Em dado momento, discutiu-se até a possibilidade de me colocar sob supervisão judicial, como alguém incapacitado de cuidar de seus próprios assuntos”, disse Uderzo.

“Eu respondi que ainda estou aqui, por enquanto, e que eles deveriam ter a decência de aguardar até minha morte.”

Por sua vez, Bernard Boyer de Choisy, que foi demitido da Albert Rene em 1997, acusou o advogado de Albert Uderzo, Yves Sicard, de manipulação e de incentivar os ressentimentos familiares.

“Albert avança e recua segundo o que seus assessores sugerem”, disse ele ao Le Figaro. “Na realidade, Sicard está manipulando tudo. Ele é meu inimigo pessoal.”

Uderzo disse que abriu uma ação cível contra seu genro, ação que deverá ir a julgamento na quinta-feira, e que oferecerá as chapas de seus desenhos de Asterix à biblioteca nacional francesa para assegurar que não sejam vendidas após sua morte.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below