12 de Março de 2009 / às 20:47 / 9 anos atrás

Com Andréa Beltrão, ataques do PCC vão para as telas do cinema

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - O dia em que São Paulo parou virou filme com estreia prevista para o início do ano que vem. “Salve Geral” narra um episódio de ficção inspirado nos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), o maior confronto contra forças policias do Estado.

“Para mim, foi o 11 de Setembro de São Paulo. Mobilizou a cidade toda e, pela imprensa, o Brasil. O pânico se instalou”, disse à Reuters o cineasta Sergio Rezende, responsável pela direção e que já comandou Zuzu Angel (2006), Guerra de Canudos (1997) e Lamarca (1994).

Co-roteirista, ele conta que foi atraído pelo “descontrole que toma conta de tudo, em que o Estado perde o controle”.

Uma primeira versão de “Salve Geral” --código usado pelo PCC-- foi apresentada à distribuidora Columbia há uma semana, quando se discutiu a data do lançamento, ainda incerta. Falta a sonorização e a música na produção orçada em 6 milhões de reais.

A história, que teve as filmagens finalizadas há alguns dias, é centrada em Lúcia, uma professora de piano viúva, vivida pela atriz Andréa Beltrão, que passa por dificuldades financeiras e tem a missão de tirar o filho da cadeia.

Rafael (Lee Thalor) está preso por ter se envolvido em um incidente de trânsito que acabou em assassinato. Para ajudá-lo, Lúcia acaba se envolvendo com o PCC, levando para a cadeia celulares e mensagens. A sigla do comando, no entanto, não é mencionada no filme.

Os ataques do PCC a São Paulo aconteceram em maio de 2006, quando delegacias de polícia, órgãos públicos, ônibus e agências bancárias foram alvo da organização criminosa que é liderada de dentro dos presídios. Foram quase 200 mortes entre funcionários do Estado e em confrontos.

Ocorridos no Dia das Mães, os ataques foram seguidos pelo pânico que parou a cidade no dia seguinte, quando a população congestionou ruas e avenidas e lotou o transporte público em uma espécie de fuga para casa.

À exceção de Andréa Beltrão o diretor escolheu, para viver os cerca de 50 personagens, atores do teatro paulista, não conhecidos do grande público. “Não são figuras populares, de novela, assim dá mistério ao filme”, disse o diretor, que é carioca e procurou fazer um filme com atores paulistas porque, no Rio, “todo mundo é conhecido”.

Apesar de a história se passar em São Paulo, apenas uma parte das rodagens foi feita na cidade. Em cena na avenida Paulista, o problema maior foi controlar o fluxo das pessoas e não os carros, apesar de as filmagens terem sido realizadas num domingo.

“Na capital, os problemas de logística são cada vez maiores. Tinha muita locação nosso filme. Se você pega um engarrafamento, perde muito tempo de deslocamento. São três caminhões, quatro vans, carros. É um circo de anda”, disse Rezende.

A maior parcela das filmagens aconteceu em Paulínia --município que tem um polo de cinema em que a prefeitura concede incentivos para produções cinematográficas-- e em Campinas, ambas no interior de São Paulo.

Desativado, o presídio Frei Caneca, localizado no Rio de Janeiro, também abrigou as filmagens. E uma viagem dos personagens levou a equipe por três dias a Foz do Iguaçu e a Ciudad del Este, no Paraguai.

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