30 de Abril de 2009 / às 15:36 / 9 anos atrás

Filme recorda a magia do CBGB, meca do punk em Nova York

Por Daniel Trotta

NOVA YORK (Reuters) - O CBGB sempre causou uma primeira impressão forte, mesmo antes de o lugar criado numa parte decadente de Manhattan com o intuito de ser um clube de música country ter-se tornado uma meca do rock‘n‘roll conhecida em todo o mundo.

Talvez fossem seus banheiros, que, dependendo do ponto de vista de quem os frequentava, podiam ser asquerosamente sujos ou um lugar artístico, recoberto de grafites, próprio para encontrar sexo e drogas.

Talvez fossem as pessoas, os punks tatuados em seu interior ou os ambulantes do lado de fora.

Mas o principal sempre foi a música, como mostra um novo documentário exibido no Festival de Cinema Tribeca. “Burning Down the House: The Story of CBGB”, da diretora Mandy Stein, que revive a paixão suscitada pelo clube fechado em 2006 em função de uma disputa sobre o aluguel da casa, após 33 anos em funcionamento.

O falecido Hilly Kristal fundou o clube em 1973 esperando dar destaque à música country e o batizou de CBGB & OMFUG, iniciais de “Country, Bluegrass, Blues and Other Music For Uplifting Gormandizers” (country, bluegrass, blues e outras músicas para elevar o espírito de glutões).

Mas apenas os fãs do punk rock se dispunham a ir até o decadente distrito de Bowery, histórico ponto de atração de vadios e mendigos e que hoje é um bairro chique. O espaço hoje é alugado pelo estilista John Varvatos, presume-se que por muito mais do que os 19 mil dólares mensais que Kristal pagava por seu uso.

O CBGB proporcionava a artistas iniciantes um lugar para se apresentar, e muitos partiram dali para o estrelato. Muitos veem o clube como o berço do punk rock americano.

“Na primeira vez em que entrei no CBGB, os Ramones estavam se apresentando, e também uma versão inicial do Blondie, antes de se chamar Blondie. Pensei ‘cara, vim para o lugar certo’”, recordou Chris Frantz, baterista do Talking Heads, que fez sua primeira apresentação ali, em 1975, abrindo a noite para os Ramones.

A banda The Police se apresentou ali em 1978, antes de chegar à fama internacional, e o vocalista Sting fala do clube em tom reverente.

Outros artistas, como Television e Patti Smith, criaram uma reverberação que, com o tempo, passou a atrair fãs de todo o mundo.

Mandy Stein se mudou de Los Angeles para Nova York em 2005 para fazer a crônica da disputa crescente sobre o aluguel entre o CBGB e a organização Comitê de Residentes do Bowery, que presta serviços a sem-teto e é a proprietária do imóvel.

O documentário focaliza também o homem que estava ao centro de tudo, Hilly Kristal, incluindo seu plano de transferir o clube para Las Vegas e sua morte de câncer em agosto de 2007.

“Sempre achei Hilly um cara maravilhoso, corajoso e filosófico”, comentou Frantz. “Para ele, não importava se sua banda fosse famosa. Desde que seu trabalho fosse sincero, Hilly lhe daria uma chance de mostrá-lo.”

Mas o filho de Kristal, Dana Kristal, disse que o filme não deu crédito a sua mãe, Karen Kristal, por ter desenhado o famoso toldo e as camisetas do CBGB, cuidar da administração do clube e de matinês de domingo que viraram uma das grandes atrações nos anos 1980.

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