3 de Maio de 2009 / às 14:10 / em 9 anos

Filmes sobre o Brasil exibidos em NY enfocam fome e favelas

Por Christine Kearney

<p>Cena do filme "Garapa", do premiado diretor brasileiro Jos&eacute; Padilha, &eacute; exibido no Festival de Tribeca, em Nova York. REUTERS/handout</p>

NOVA YORK (Reuters) - Dois documentários sobre o Brasil lançados na última semana no Festival de Cinema de Tribeca, em Nova York, enfocam como famílias pobres brasileiras lidam com as dificuldades e a fome.

“Garapa”, do premiado diretor José Padilha, acompanha a vida de três famílias e a rotina de crianças mal nutridas que bebem garapa para combater a fome.

Filmado em preto e brando e sem efeitos especiais, nem mesmo música, o filme mostra as dificuldades enfrentadas pelas famílias.

“As pessoas assistem ao filme e percebem que nunca souberam o que a fome significa para as famílias que a enfrentam diariamente”, disse Padillha, diretor de “Tropa de Elite”, à Reuters.

“É um filme sobre famílias específicas, mas como essas condições existem em todos os lugares do mundo, você pode ter uma ideia de como a fome afeta a todos”, ele disse.

De acordo com as ONU, mais de 950 milhões de pessoas ao redor do mundo passam fome. A expectativa é que esse número cresça com a crise financeira global e o aumento dos preços de commodities.

Padilha, 41 anos, vive no Rio de Janeiro e as filmagens foram no Estado do Ceará. Ele afirmou que entre suas motivações para fazer o filme está o fato de que, enquanto o problema da fome cresce, líderes mundiais e o público não tratam o assunto como prioridade.

“Nós sabemos muito sobre a fome, nós sabemos os fatos e nós sabemos o quando custa para erradicá-la”, ele disse, adicionando que motivações políticas impedem sua priorização.

“Você sabe, se você ajuda crianças pobres na África, aquelas crianças pobres não votam nas próximas eleições em seu país rico.”

Outro documentário sobre o Brasil no festival, “Only When I Dance” (Apenas quando eu danço), enfoca dois jovens negros vivendo em uma favela do Rio de Janeiro e os esforços deles para se tornarem bailarinos internacionais.

A diretora Beadie Finzi, que vive em Londres, afirma que sua ideia é contar uma história positiva em um cenário de dificuldades enfrentado por muitas famílias da classe trabalhadora no Brasil.

“A disparidade e as divisões neste país maravilhoso são sintetizadas no Rio com os extremamente ricos, educados e afluentes convivendo com as favelas mais perigosas, difíceis e pobres”, ela disse.

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