2 de Julho de 2009 / às 15:44 / em 8 anos

ESTREIA-Irmãos lidam com partilha de herança em "Horas de Verão"

SÃO PAULO (Reuters) - O drama francês “Horas de Verão”, que estreia em São Paulo e no Rio de Janeiro, é essencialmente um filme sobre herança - tanto material quanto emocional.

<p>O drama franc&ecirc;s "Horas de Ver&atilde;o", que estreia em S&atilde;o Paulo e no Rio de Janeiro, &eacute; essencialmente um filme sobre heran&ccedil;a - tanto material quanto emocional. REUTERS/Eric Gaillard</p>

Escrito e dirigido por Oliver Assayas (“Clean”), começa com uma reunião da matriarca, Hélène Berthier (Edith Scob, de “A Questão Humana”), com seus filhos e netos para celebrar seu 75o aniversário, na casa de campo da família. Será o seu último.

Entre uma conversa e outra, ela insiste em falar na divisão de seus bens. Mas a vontade da mãe nunca está em sintonia com a de seus três herdeiros. O mais velho, Frédéric (Charles Berling, de “Caos Calmo”), a princípio não quer discutir o assunto.

Quando Hélène morre, tratar da divisão dos bens será inevitável. Mas tanto ele como os irmãos terão dificuldades para entrar num acordo. Adrienne (Juliette Binoche, de “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”) mora nos Estados Unidos e o caçula, Jérémie (Jérémie Renier, de “O Silêncio de Lorna”), na China.

Assim, nenhum dos dois tem interesse em manter a propriedade e as diversas obras de arte que a família acumulou ao longo dos anos, preferindo vender tudo e doar as peças mais valiosas para o Museu D‘Orsay.

“Horas de Verão” questiona o valor de uma herança. Os três irmãos irão se reunir diversas vezes ao longo dos meses para discutir o que fazer. A vida e os relacionamentos, tal qual as obras de arte, se transformam com o passar do tempo.

Diante de uma peça quebrada de Degas, que se encontra guardada há anos no fundo de um armário, alguém sentencia que já não é mais possível recuperá-la. Mais tarde, quando a mesma obra for vista na sala de restauração do museu quase completamente restaurada, ficará a lição de que nem tudo é definitivo na vida.

A história em torno desses personagens é simples, sem grandes discussões ou catarses. Os dramas pessoais são revelados aos poucos nos diálogos. O que mais interessa ao diretor e roteirista é a percepção da dinâmica familiar. O filme mostra que, após a morte da mãe, cada um dos irmãos tem a sua vida própria com pouco em comum.

O cineasta está tão interessado nas pessoas quanto nos objetos, que parecem ter vida própria. Boa parte das obras de arte da casa de campo da família pertenceu a um tio da matriarca, que praticamente paira como um fantasma sobre a família.

“Horas de Verão” faz parte de um projeto promovido pelo próprio Museu D‘Orsay para comemorar seus vinte anos de existência. Mas, em vez de fazer um filme para justificar a inclusão da instituição na história, Assayas preferiu discutir com naturalidade o peso e a importância do legado deixado pela família.

Construindo a trama em pequenos detalhes, numa atmosfera inspirada tanto no escritor russo Anton Tchekov como no cineasta francês Éric Rohmer, o diretor explora, acima de tudo, o estado do mundo globalizado, com a família separada em países diferentes e sem vínculos profundos. Se, num primeiro momento, “Horas de Verão” parece um filme pequeno, seus comentários sobre a perda, o legado e a família são capazes de tocar o espectador de forma profunda, mostrando que obras-primas podem esconder-se em pequenas embalagens.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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