18 de Novembro de 2009 / às 14:25 / em 8 anos

Primeira sessão de filme sobre Lula em Brasília superlota teatro

BRASÍLIA (Reuters) - Foi longa, tumultuada no início, mas terminou entre lágrimas e aplausos a primeira sessão pública do filme “Lula - O Filho do Brasil”, de Fábio Barreto, que abriu nesta noite de terça-feira o 42o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

<p>Elenco do filme "Lula O Filho do Brasil" posa antes da premi&egrave;re no 42o Festival de Cinema de Bras&iacute;lia 17/11/2009 REUTERS/Roberto Jayme</p>

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja presença chegou a ser anunciada nos últimos dias, não foi. Em seu lugar, esteve a primeira-dama, Marisa Letícia da Silva, alguns ministros, como o de Esportes, Orlando Silva, e o governador de Brasília, José Roberto Arruda (DEM), o vice, Paulo Octavio, entre outros.

Com aparato de segurança discreto, a primeira-dama evitava, porém, os jornalistas que tentavam entrevistá-la, que eram gentil mas firmemente afastados por uma assessora.

Com tantas autoridades presentes, a sessão ganhou ainda uma nota política adicional, quando um pequeno grupo de estudantes invadiu o palco, ostentando uma faixa onde se lia: “Lula, liberte Cesare”, referindo-se ao ex-brigadista italiano Cesare Battisti, cuja extradição está sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na entrada do teatro, o principal problema era a superlotação. Apenas dois seguranças na porta não conseguiam impedir aglomeração e empurra-empurras no ingresso à sala --contrariando a rotina das noites de abertura deste festival, o mais antigo do Brasil, que costumam acontecer com convidados fazendo filas.

Os lugares demarcados para a imprensa e convidados, numa área protegida por uma faixa, rapidamente se esgotaram. Quando chegaram os atores do filme, como Glória Pires (que interpreta dona Lindu, mãe de Lula) e Juliana Baroni (que interpreta dona Marisa), não havia poltronas para eles.

Isto provocou uma reação do diretor do filme, Fábio Barreto, que, quando se dirigiu ao palco para dar início à apresentação, serviu-se do microfone para reclamar: “A organização do festival não guardou lugar para os meus atores, eles não têm onde sentar.”

ABORDAGEM EMOTIVA

Baseado em livro de Denise Paraná, que co-assina o roteiro com Fernando Bonassi e Daniel Tendler, o filme percorre a trajetória de Lula desde a infância, saindo de Garanhuns em pau-de-arara em 1952, com a mãe e irmãos, rumo a Santos (SP). Lá, reencontram-se com o pai, Aristides (Milhem Cortaz, de “Tropa de Elite”), alcoólatra e violento, que anos depois é abandonado por dona Lindu.

Logo depois, ela e os filhos rumam para São Paulo, depois São Bernardo do Campo, onde Lula (na fase adulta, interpretado pelo estreante em cinema Rui Ricardo Dias) tornou-se operário e sindicalista, antes de entrar para a política.

É visível que o foco da história está no indivíduo Lula, procurando-se uma abordagem emotiva, que coloca em primeiro plano suas relações familiares com três mulheres --além da figura forte da mãe, sua primeira mulher, Lourdes (Cléo Pires), que morreu grávida de oito meses, e a segunda, Marisa Letícia (Juliana Baroni).

Quando retrata o sindicalismo, a opção é colocar Lula como um líder hesitante --que a princípio não quer saber de política-- mas em formação, que emerge de um ambiente dominado por alguns ‘pelegos’, como Feitosa (Marcos Cesana).

O filme, no entanto, não cita a formação do Partido dos Trabalhadores, que evoluiu das greves de metalúrgicos lideradas por Lula no ABC paulista, no final dos anos 1970.

Ao retratar essas greves, eventualmente se recorre a imagens documentais --sempre tendo o cuidado de evitar mostrar o rosto do Lula real. Uma atitude que só é abandonada no final, quando se menciona a eleição presidencial de 2002, a primeira vencida por ele, e Lula é mostrado ao lado de dona Marisa no seu primeiro desfile, em carro aberto, por Brasília.

Com orçamento estimado em 17 milhões de reais, que, segundo os produtores, foram bancados por diversos patrocinadores privados --sem recurso a leis de incentivo, como o filme ostenta em seus letreiros iniciais, antes de exibir um a um os nomes e logotipos de todos os seus apoiadores--, o filme tem visivelmente uma produção técnica de primeira linha.

Entre seus profissionais, estão nomes consagrados como o compositor Antonio Pinto (autor da trilha de “Central do Brasil”, de Walter Salles) e Clóvis Bueno (de “Terra Vermelha”, “Os Desafinados”) na direção de arte.

Duas outras sessões do filme estão previstas nas próximas semanas, em Recife e São Bernardo. A estreia comercial só acontece em janeiro de 2010.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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