30 de Dezembro de 2009 / às 12:39 / em 8 anos

ESTREIA-"Lula - O Filho do Brasil" focaliza infância e juventude

SÃO PAULO (Reuters) - Está chegando às telas o filme mais discutido da temporada, “Lula - O Filho do Brasil”, de Fábio Barreto. Nenhuma produção brasileira mereceu tanto espaço na imprensa de todo o país antes mesmo de sua primeira exibição pública, na abertura do Festival de Brasília, em novembro passado.

<p>Presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva posa para foto ao lado de elenco e diretor durante pr&eacute;-estreia do filme "Lula O Filho do Brasil" em S&atilde;o Bernardo do Campo 28/11/2009 REUTERS/Mario Miranda</p>

O motivo está longe de ser cinematográfico: é político. Afinal, trata-se da cinebiografia do presidente da República ainda em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, estreando no ano de sua sucessão.

O diretor Fábio Barreto, que sofreu um sério acidente de carro no Rio de Janeiro, no último dia 19, está hospitalizado em estado grave. Por isso, não poderá participar do lançamento, que deve ocorrer com cerca de 500 cópias, em todo o Brasil.

Baseado em livro homônimo da jornalista Denise Paraná, que co-assina o roteiro com Fernando Bonassi e Daniel Tendler, o filme percorre a trajetória de Lula desde a infância, saindo de Caetés (PE) em pau-de-arara em 1952, com a mãe, dona Lindu (Glória Pires, de “Se Eu Fosse Você”), e irmãos, rumo a Santos (SP).

Na Baixada Santista, reencontram o pai, Aristides (Milhem Cortaz, de “Tropa de Elite”), alcoólatra e violento, que anos depois é abandonado por dona Lindu. Em seguida, ela e os filhos mudam-se para São Paulo, depois São Bernardo do Campo. Nessa cidade, Lula (na fase adulta, interpretado pelo estreante em cinema Rui Ricardo Diaz) tornou-se operário e sindicalista, antes de entrar para a política.

É visível que o foco da história está no indivíduo Lula, procurando-se uma abordagem emotiva, que coloca em primeiro plano suas relações familiares com três mulheres --além da figura forte da mãe, sua primeira mulher, Lourdes (Cléo Pires), que morreu grávida de oito meses, e a segunda, Marisa Letícia (Juliana Baroni).

INTERESSE INTERNACIONAL

É clara a intenção dos produtores, Luiz Carlos Barreto e Paula Barreto, de que “Lula - O Filho do Brasil” circule o máximo possível. Já estão sendo finalizados acordos para a distribuição internacional do filme, que está sendo lançado na esteira de um grande interesse pelo presidente brasileiro no exterior.

Especialmente após ter sido escolhido o “Homem do Ano” pelo jornal francês Le Monde, bem como a 33a pessoa mais poderosa do mundo no ranking da revista econômica Forbes, uma das 50 pessoas que “moldaram a década” segundo o jornal britânico Financial Times, e uma das 100 personalidades do ano do mundo ibero-americano pelo jornal espanhol El País -- com direito a um perfil escrito pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero.

O primeiro país no exterior em que o filme será lançado, já em março de 2010, será a Argentina. Os produtores também estão recebendo convites de festivais internacionais. O filme foi enviado à comissão de seleção do Festival de Berlim --que acontece em fevereiro e ainda não divulgou toda a sua programação.

Com orçamento estimado em 17 milhões de reais -- entre custos de produção e lançamento -- que, segundo os produtores, foram bancados por diversos patrocinadores privados, sem recurso a leis de incentivo, e cujos nomes e logotipos aparecem nos letreiros iniciais, “Lula - O Filho do Brasil” tem visivelmente uma produção técnica de primeira linha.

Entre seus profissionais, estão nomes consagrados como o compositor Antonio Pinto (autor da trilha de “Central do Brasil”, de Walter Salles) e Clóvis Bueno (de “Terra Vermelha”, “Os Desafinados”) na direção de arte.

O uso do filme como instrumento político ou de campanha eleitoral pelo atual governo, que tem causado artigos em diversos órgãos de imprensa pelo país, não preocupa os realizadores.

“Quis fazer um melodrama épico, nada além disso”, declarou o diretor Fábio Barreto, durante o Festival de Brasília. Seu pai, o produtor Luiz Carlos Barreto, por sua vez, opinou: “Este filme não tem nenhum sentido eleitoreiro e sim didático”.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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