14 de Fevereiro de 2010 / às 18:22 / em 8 anos

Parati brinca na lama no Carnaval

Por Ana Nicolaci da Costa

<p>Perto de uma das cidades coloniais mais tradicionais do Brasil, uma comemora&ccedil;&atilde;o bizarra de Carnaval ocorre todos os anos: uma parada na qual as fantasias s&atilde;o camadas de uma lama grossa, escura e grudenta. REUTERS/Ricardo Moraes (BRAZIL - Tags: SOCIETY)</p>

PARATY, 14 de fevereiro (Reuters) - Perto de uma das cidades coloniais mais tradicionais do Brasil, uma comemoração bizarra de Carnaval ocorre todos os anos: uma parada na qual as fantasias são camadas de uma lama grossa, escura e grudenta.

“Me sinto muito primitivo, como se tivesse correndo por florestas e soltando gritos de guerra”, afirmou Chris White, 23 anos, da Nova Zelândia, coberto de lama da cabeça aos pés.

Ele era um das centenas de turistas estrangeiros e brasileiros que rumaram para uma praia próxima a Parati, neste sábado, para se banhar e brincar na lama. Acredita-se que essa lama tenha sido usada por índios para efeitos medicinais.

Casais com roupa de banho se decoravam com a lama, escrevendo os seus nomes um no outro ou o nome dos seus times de futebol. Os mais criativos faziam saias e coroas com as folhas das árvores.

Enquanto a 250 km ao norte, na cidade do Rio de Janeiro, foliões desfilam em fantasias elaboradas, em Parati essas pessoas preferem celebrar a ocasião de modo mais simples, com a Mãe Natureza.

“É muito bom. Adoro bagunça”, diz a britânica de 29 anos Sally Fordham, com um sorriso.

Ao som de música eletrônica, foliões mergulham na massa grossa de lama e a arremessam naqueles com vergonha para participar da festa.

FESTA EM CRESCIMENTO

A festa de lama começou em 1986, quando um grupo de amigos passou a lama nos seus corpos, para evitar picadas de insetos, enquando caçavam caranguejos. Depois, ele decidiram correr pelo centro histórico de Parati cobertos com a lama.

“Um monte de gente vem se sujar e, a cada ano, eles incorporam coisas novas, algas, crânios de boi,” afirma Amaury Barbosa, secretário municipal de Turismo e Cultura. “Isso está crescendo.”

Alguns moradores dizem que o desfile de lama tem ajudado a afastar especulação imobiliária da praia, por chamar a atenção para o ecossistema da região.

“Essa área está bem preservada por causa do bloco,” afirma o professor Marcelo de Assis, de 44 anos.

No entanto, segundo críticos, um desenvolvimento acelerado da região, às custas do ecossistema, é uma ameaça.

“O objetivo do bloco é chamar a atenção para a natureza, mas isso não funciona, porque os ricos têm dinheiro para darem um jeito,” declarou o artista de rua Warley Costa, de 32 anos.

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