1 de Março de 2010 / às 19:17 / em 8 anos

Museu croata recria visões, sons e odores da Idade da Pedra

Por Zoran Radosavljevic

<p>R&eacute;plica de um cr&acirc;nio de neandertal &eacute; exposto no Museu Neandertal em Krapina, na Cro&aacute;cia. O museu foi aberto na semana passada, erguido no local em que cientistas encontraram a maior concentra&ccedil;&atilde;o na Europa de restos de neandertais. 25/02/2010 REUTERS/Nikola Solic</p>

KRAPINA, Croácia (Reuters Life!) - A ciência forense e simulações computadorizadas são apenas duas das ferramentas de alta tecnologia empregadas por um novo museu na Croácia para explicar um ramo da árvore evolutiva.

O Museu Neandertal foi aberto na semana passada, erguido no local em que cientistas encontraram a maior concentração na Europa de restos de neandertais -- os ossos, crânios, ferramentas e outros resquícios de um ramo extinto da humanidade que habitou partes da Ásia e Europa até 30 mil anos atrás.

O conceito do museu -- que resume a evolução em um período de 24 horas, representado em um caminho que serpenteia pelos dois andares do prédio -- ressalta o fato de os primeiros parentes dos humanos terem surgido em um momento tardio dessas 24 horas: às 23h52.

Construído com a ajuda de museus de história natural norte-americanos e britânicos, o museu expõe muitos dos ossos e artefatos desenterrados no local no final do século 19.

“Naquela época, os cientistas procuravam o chamado elo perdido, metade homem, metade animal, e os neandertais eram retratados como selvagens peludos e de aparência bruta, que não sabiam andar eretos”, disse o paleoantropólogo Jackov Radovic.

Mas as figuras de neandertais recriadas em tamanho natural pelo museu contam uma história diferente.

“Hoje vemos os neandertais como humanos. Eles tinham emoções, eles ajudavam os fracos e doentes, temos indicativos de que faziam rituais de sepultamento e determinamos que eles possuíam o gene da fala, como nós”, disse Radovic.

Descobertas feitas em toda a Europa mostram que os neandertais faziam pinturas, provavelmente praticavam algum tipo de dança ou música tribal e até mesmo escovavam os dentes.

“Mesmo que não tenham sido nossos antepassados diretos, foram parentes muito próximos de nossos ancestrais, o que faz deles nossos ancestrais”, disse Radovic.

Ele explicou que os cientistas ainda estão intrigados e divididos em relação ao período de vários milhares de anos durante o qual os neandertais conviveram lado a lado com os humanos modernos, até sua extinção final.

“Acredito - e existem algumas provas científicas nesse sentido - que eles se miscigenaram aos humanos, que houve troca de material genético. Algumas descobertas recentes em Portugal também provam que o contato entre as duas populações foi possível”, disse ele.

Os visitantes ao museu podem tocar partes de um corpo neandertal digital para ouvir uma explicação médica de suas doenças e males - em sua maioria muito semelhantes aos nossos, como problemas de ombro e joelho em uma idade mais avançada.

A cena central do museu - uma grande família neandertal reunida em volta de uma fogueira em uma caverna - impressiona especialmente devido aos odores fortes de suor e carne queimada que a acompanham, além de sons que visam reproduzir os sons típicos da Idade da Pedra.

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