8 de Março de 2010 / às 19:43 / em 8 anos

Dia da Mulher é um absurdo, diz supermodelo somali

Por Astrid Wendlandt

PARIS (Reuters) - Milhões de mulheres no mundo todo são cumprimentadas no Dia Internacional da Mulher, mas para a supermodelo somali Waris Dirie essa ideia é absurda.

“Todos os dias, as mulheres movem montanhas. É um insulto haver um dia internacional para as mulheres”, afirmou Dirie à Reuters antes da pré-estreia de um filme baseado em sua vida, que será lançado na quarta-feira na França.

“Desert Flower” (“flor do deserto”) mostra como Dirie usou sua fama como modelo para conscientizar e mobilizar o mundo para acabar com a circuncisão feminina.

Dirie foi submetida à mutilação genital aos 3 anos, junto com suas duas irmãs, que não sobreviveram. Hoje embaixadora da ONU para a eliminação da mutilação genital feminina, ela diz que os governos africanos “não ligam para esse tipo de assunto” e “não fazem absolutamente nada para ajudar”.

Daí, segundo ela, a absoluta necessidade de ajuda das ONGs. O site da Fundação Waris Dirie estima que pelo menos 150 milhões de mulheres e meninas sejam afetadas por essa prática cruel, mantida ainda hoje na África e em outros continentes.

Milhares de mães continuam entregando suas filhas para a mutilação, mesmo que vivam na Europa ou na América, já que isso representa uma forma de se aferrarem a suas crenças tradicionais.

O filme diz que 6.000 mulheres têm seus genitais extirpados por dia. A prática se baseia na crença de que mulheres não circuncidadas são impuras.

A mulher tem os genitais costurados até o casamento, e costuma sofrer infecções duradouras e distúrbios psicológicos.

Dirie nasceu no deserto da Somália e fugiu da família depois de ser entregue em casamento a um homem mais velho. Tornou-se uma grande modelo depois de ser notada por um fotógrafo, quando fazia faxina em uma lanchonete em Londres.

A Fundação de Amparo à Dignidade e os Direitos das Mulheres, parte da rede varejista francesa de luxo PPR, apoiou a divulgação do filme e organizou um evento de arrecadação para ONGs que combatem a mutilação genital feminina.

Membros da fundação incluem a atriz Salma Hayek e as estilistas Stella McCartney e Frida Giannini.

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