10 de Março de 2010 / às 14:54 / 8 anos atrás

Lentamente, Oscar de Bigelow irá mudar Hollywood

Por Bob Tourtellotte

<p>Diretora Kathryn Bigelow posa com seus Oscars por "Guerra ao Terror" depois da cerim&ocirc;nia em Hollywood. Dois dias depois de ela se tornar a primeira mulher a conquistar o Oscar de dire&ccedil;&atilde;o, observadores dizem que o reflexo no mercado cinematogr&aacute;fico para mulheres pode levar anos. 08/03/2010 REUTERS/Mario Anzuoni</p>

LOS ANGELES (Reuters) - A cineasta Kathryn Bigelow envolveu com seus dedos no domingo aquele homenzinho dourado chamado Oscar, rachando um dos tetos de vidro de Hollywood. Mas estilhaçá-lo para valer ainda vai demorar mais.

Pesquisas mostram que o número de profissionais mulheres por trás das câmeras caiu nos últimos anos, e que há menos papéis femininos nas grandes produções de Hollywood. Saber disso pode deixar com ressaca quem exagerou na comemoração no domingo.

Dois dias depois de Bigelow, de 58 anos, se tornar a primeira mulher a conquistar o Oscar de direção, observadores de Hollywood dizem que o reflexo disso em termos de ampliação do mercado de trabalho cinematográfico para as mulheres pode levar anos, e depende tanto de prêmios quanto dos lucros dos estúdios.

“Estamos no negócio do cinema. O negócio é uma parte importantíssima”, disse Jane Fleming, presidente da ONG Women in Film, que promove e ajuda cineastas mulheres.

“A vitória da Kathryn é excitante porque mostra à próxima geração o que é possível. Mas não acho que altere inerentemente da noite para o dia a realidade no fazer cinematográfico, e a realidade de que cineastas mulheres estão atrás de seus colegas homens”, disse ela.

Um recente estudo intitulado “O Teto do Celuloide” mostra que dos 250 filmes com melhores bilheterias em 2009, as mulheres eram apenas 16 por cento entre diretores, produtores, roteiristas e outras funções importantes - igual a 2008, e três pontos percentuais abaixo de 2001.

As mulheres eram apenas 7 por cento dos diretores, queda de 2 pontos em relação a 2008, segundo Martha Lauzen, da Universidade Estadual de San Diego, que monitora a presença feminina na TV e no cinema e examinou mais de 2.800 funções.

Outra pesquisa, da Escola Annenberg de Comunicações, da Universidade do Sul da Califórnia, concluiu que, dos quase 4.400 papéis com falas nos cem filmes mais vistos de 2009, só cerca de 30 por cento eram mulheres. Quando havia pelo menos uma mulher dirigindo o filme, a proporção saltava para 44 por cento.

A REGRA DO JOGO

Embora mulheres como Sherry Lansing (Paramount Pictures), Stacey Snider (Universal Pictures e DreamWorks) e Amy Pascal (Sony Pictures) dirijam ou tenham dirigido grandes estúdios, ter sucesso em Hollywood significa jogar um jogo que existe há mais de cem anos e cujas regras foram definidas principalmente por homens.

E mudar esse jogo irá levar muitos anos, já que filmes “para rapazes” como “Se Beber, Não Case” (467 milhões de dólares nas bilheterias), ou aventuras de ação, como “Avatar” (2,5 bilhões de dólares), dominam o mercado.

Na verdade, “Guerra ao Terror”, filme que deu o prêmio a Bigelow, não é o que Hollywood tradicionalmente chama de “filme de mulher”: um romance ou comédia de relacionamentos. Ele fala de guerra, de bombas e de caras na batalha - coisa de macho.

Mas para cada “Guerra ao Terror”, “Se Beber, Não Case” ou “Avatar” existe também um “Crepúsculo”, série de filme voltada para mulheres jovens, que arrecadou 1,1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais nos dois primeiros episódios - um dirigido por uma mulher, o outro, por um homem.

“Filmes de mulheres não fazem menos dinheiro. Quando as mulheres recebem o mesmo dinheiro (para produzir e divulgar os filmes), podem ganhar tanto dinheiro quanto (os homens)”, disse Debra Zimmerman, diretora-executiva da Women Make Movies, outra entidade que promove e ajuda cineastas mulheres.

Talvez tão notáveis quanto a vitória de Bigelow tenham sido os Oscars para Mo‘Nique (atriz coadjuvante) e Geoffrey Fletcher (roteiro adaptado). Ele também fez história, por se tornar o primeiro negro a ganhar o prêmio nessa categoria, por “Preciosa.”

Mas o teto de vidro racial em Hollywood foi menos comentado, em grande parte por já ter sido superado - inicialmente por Hattie McDaniel, em 1939, por “...E o Vento Levou”, e mais tarde, em 1963, por Sidney Poitier por “Uma Voz nas Sombras”.

Quando Denzel Washington e Halle Berry ganharam os Oscars de melhores ator e atriz em 2002, o teto racial foi estilhaçado de vez. O sucesso posterior dos filmes de Tyler Perry, a começar por “Madea’s Family Reunion” (2006), eliminou quaisquer cacos restantes.

“Se você olha a mudança anedótica (a vitória de Bigelow), fica animado, (mas) se você olha as estatísticas, é outra história”, disse Fleming, da Women in Film. “Mas prefiro pensar que a mudança anedótica irá em breve levar a uma mudança nas estatísticas.”

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