14 de Maio de 2010 / às 18:47 / em 8 anos

Oliver Stone volta a Wall Street com drama sobre a crise

Por Mike Collett-White

<p>Diretor Oliver Stone participa de coletiva durante o festival de cinema de Cannes por seu filme "Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme". REUTERS/Christian Hartmann</p>

CANNES, França (Reuters) - Transações feitas com informações privilegiadas, boatos e especulação desregrada movem altas e baixas do mercado e levam empresas à falência em “Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme”, que entremeia ficção com fatos reais da crise financeira global.

Oliver Stone retorna ao cenário de seu sucesso de 1987 “Wall Street - Poder e Cobiça”, com Michael Douglas de volta no papel do investidor inescrupuloso Gordon Gekko, em um filme em que os grandes bancos tomaram o lugar do indivíduo cheio de cobiça, tornando-se os vilões da história.

Em parte história com moral, em parte thriller sobre vingança e em parte análise dos erros dos mercados financeiros e das autoridades reguladoras, o filme faz sua première mundial no Festival de Cinema de Cannes na sexta-feira e chegará aos cinemas em setembro.

O filme é pontual, chegando neste momento em que crescem os receios quanto à força da recuperação econômica. Stone disse que ele próprio, como outros, ficou confuso quanto a se o capitalismo é uma coisa boa ou má.

“Me parece que o capitalismo é excessivo e desregulado, e eu gostaria de ver uma reforma séria ser empreendida”, disse o diretor a jornalistas após uma sessão do filme para a imprensa. “Existem problemas enormes em todo o mundo. Afinal, isso afeta a Grécia, Inglaterra, Espanha, Portugal.”

“Em 1987 eu pensava que o sistema iria se corrigir sozinho. Mas isso não aconteceu. Ele piorou.”

“Havia um abismo tremendo entre os que ganhavam dinheiro e os que não. Acionistas e altos executivos ganhavam dinheiro, mas profissionais e trabalhadores comuns, não”, acrescentou. “Há uma desigualdade e injustiça tremenda nisso, e isso precisa ser corrigido.”

Michael Douglas, que recebeu um Oscar por sua atuação no primeiro “Wall Street”, disse que o fato de o novo filme ser relevante aos acontecimentos atuais não é necessariamente uma coisa boa.

“Não devemos pensar que, pelo fato de Wall Street estar no noticiário, isso vá necessariamente beneficiar nosso filme”, disse.

“Acho que isso vai ser um dilema para os marqueteiros -- como fazer o público não pensar que já assistiu a este filme, pelo simples fato de assistir ao noticiário todas as noites.”

ÂNCORA MORAL

No segundo “Wall Street”, Winnie, a filha de Gekko (representada por Carey Mulligan) é a âncora moral da história e namora o jovem e ousado corretor de ações Jake Moore.

Shia LaBeouf faz o papel deste, que mistura ambição e cobiça com altruísmo, através de seu engajamento em investir em projetos de energia verde.

Sua empresa é vítima de uma aquisição hostil arquitetada pelo banqueiro rival Bretton James (Josh Brolin), fato que o leva a buscar vingança.

Ao mesmo tempo, Gordon Gekko saiu da prisão, depois de cumprir oito anos por crimes financeiros, e quer conquistar de volta os milhões que perdeu e também o amor de sua filha, de quem se distanciou.

Douglas disse que ele e Stone ficaram “estarrecidos” pelo fato de Gekko, no primeiro filme, ter sido idolatrado por muitos candidatos a corretores em Wall Street.

“Nunca havíamos imaginado que esse pessoal que fazia faculdade de administração ficaria dizendo que queria se tornar uma pessoa como Gekko”, disse ele a jornalistas.

Reportagem adicional de Bob Tourtellotte

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