26 de Maio de 2010 / às 15:54 / em 7 anos

Michael Douglas encara a vida como "Solitary Man"

Por Iain Blair

<p>Michael Douglas chega &agrave; cerim&ocirc;nia do pr&ecirc;mio Chaplin em Nova York. Douglas interpreta um canalha no filme de baixo or&ccedil;amento "Solitary Man" (Homem solit&aacute;rio), que estreou nas grandes cidades norte-americanas na semana passada e chegar&aacute; aos cinemas de todo o pa&iacute;s nesta sexta-feira. 24/05/2010 REUTERS/Jessica Rinaldi</p>

LOS ANGELES (Reuters) - Em sua longa carreira, Michael Douglas já brilhou em papéis de homens de valores éticos duvidosos, como por exemplo o marido infiel em “Atração Fatal” e o financista Gordon Gekko em “Wall Street - Poder e Cobiça”, que lhe valeu um Oscar.

Depois de passar um ano de 2009 difícil, enfrentando a prisão de seu filho por tráfico de drogas, algo que Douglas descreveu como “triste e arrasador”, o ator está de volta ao que faz melhor. Ele representa um canalha no filme de baixo orçamento “Solitary Man” (Homem solitário), que estreou nas grandes cidades norte-americanas na semana passada e chegará aos cinemas de todo o país nesta sexta-feira.

Douglas reservou algum tempo para conversar com a Reuters sobre “Solitary Man” e sobre a reprise do papel de Gekko em “Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme”, que fez sua estreia no festival de cinema de Cannes este mês e chegará aos cinemas dos EUA em setembro.

Pergunta: Que tipo de filme é “Solitary Man”?

Resposta: É uma tragicomédia, muito imprevisível - você não sabe se vai se emocionar ou se vai apenas rir, e foi isso o que me atraiu. Basicamente, trata da crise da meia-idade do personagem e de como ele a enfrenta. Além disso, temos um grande elenco. Susan Sarandon faz minha ex-esposa, Mary-Louise Parker faz minha namorada, Jenna Fischer é minha filha, e temos uma ótima atriz nova, Imogen Poots, no papel da filha de minha namorada. Acho que vocês ainda vão ouvir falar muito dela.

P: Você faz um vendedor de carros que faz tudo errado em seus negócios e seu casamento. Existe muito em comum entre o personagem e você mesmo?

R: Bem, ele tem mais ou menos minha idade, é de Nova York, onde vivemos, e está pensando em sua própria mortalidade, então sim, há elementos em comum ... (risos) Mas eu estou muito bem casado e não trabalho com carros, embora isso ainda possa acontecer algum dia.

P: Houve alguma surpresa no trabalho com Susan Sarandon?

R: Eu sempre quis trabalhar com ela, e cada tomada que ela fazia era diferente. E ela continua tão bonita quanto sempre foi.

P: Você representa outro personagem com problemas éticos em “Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme”. Foi fácil voltar ao papel de Gordon Gekko?

R: Foi interessante, porque neste filme ele não conta com tudo que possuía no primeiro “Wall Street”. A história acontece mais ou menos seis anos depois de ele sair da cadeia, e ele foi proibido de negociar com ações, de modo que é um personagem diferente, alguém bem mais vulnerável e aberto. Então não tive a segurança de simplesmente voltar ao personagem exatamente igual.

P: Em vista do derretimento financeiro recente, o timing da sequência parece perfeito.

R: Sim e não. Passei a mesma coisa com “A Síndrome da China”. O acidente na usina nuclear de Three Mile Island aconteceu logo após a estreia do filme, e todo o mundo achou “isso é perfeito para o filme”. Mas o que acontece é que as pessoas sentem que já assistiram ao filme porque viram todos os noticiários na TV. Na realidade, com toda essa história do banco Goldman Sachs, estou aliviado pelo fato de o filme só chegar aos cinemas mais tarde. Espero que até lá as coisas na vida real tenham se acalmado um pouco.

P: As pessoas adoram Gekko. O que o faz ser tão simpático?

R: Não sei. Talvez seja o safado que existe dentro de mim. Acho que você precisa curtir representar vilões, e o incrível em Gordon Gekko é que ele não tinha remorsos. Era puro. E, falando isso 22 anos depois, com todas as crises que já tivemos, estou me lembrando daqueles estudantes de administração que costumavam chegar, bêbados, e me dizer “você é o cara, Gordon! A cobiça é legal!” Agora eles devem estar administrando muitos bancos e empresas de investimentos, e é bem possível que esse tipo de mentalidade ainda exista.

P: Ouvi dizer que seu próximo papel será o de Liberace. É uma mudança e tanto.

R: Achei que seria divertido. (O diretor) Steven Soderbergh me falou do filme muito tempo atrás, e quando vi o roteiro achei ótimo, então estou interessado.

P: Você chegou a conhecer Liberace?

R: Uma vez, rapidamente, na casa de meu pai em Palm Springs. Era um personagem e tanto e dava a impressão de estar muito à vontade em sua própria pele.

P: Vai ser fácil trazer à tona seu próprio Liberace interior, bombástico?

R: (risos) Honestamente, ainda não sei. Estou pensando sobre isso. E estou fazendo aulas de piano. Mas será preciso muito trabalho sério para encarar este papel.

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