25 de Junho de 2010 / às 18:02 / em 7 anos

"Restrepo" mostra soldados rasos na guerra no Afeganistão

Por Bob Tourtellotte

LOS ANGELES (Reuters) - Quer falar de guerra? Esqueça os generais norte-americanos Stanley McChrystal ou David Petraeus e o que eles enfrentaram ou enfrentam no Afeganistão. Pense por um instante nos soldados rasos e o que eles encontram.

Ou, melhor ainda, veja-os em um novo documentário, “Restrepo”, que estreia nos cinemas dos EUA na sexta e foi feito pelo célebre escritor Sebastian Junger e o repórter de guerra Tim Hetherington.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no festival de cinema Sundance deste ano, “Restrepo” cobre um ano na vida de um pelotão de soldados americanos, entre 2007 e 2008, no mortífero vale do Korengal. Em lugar de falar à plateia sobre a guerra, Junger e Hetherington simplesmente ligam as câmeras e deixam o público ver as balas voarem.

Mais precisamente, o público vê os soldados enfrentando diferenças culturais, tédio e cansaço, até que as armas do Taliban entram em ação, bombas explodem e os homens mergulham no caos, às vezes chorando.

Enquanto, esta semana, os americanos refletem sobre a decisão do presidente Obama de afastar o comandante em chefe dos EUA no Afeganistão, general McChrystal, e substituí-lo pelo general Petraeus, e o que isso significa para a política da guerra mais ampla, “Restrepo” faz as pessoas pensarem nos soldados rasos acampados em uma terra distante.

O filme começa com os homens da Companhia de Batalha da 173a Brigada Aerotransportada rindo e brincando enquanto se dirigem do treinamento nos EUA para a guerra no Afeganistão.

O público fica conhecendo vários deles, entre eles o paramédico Restrepo, que morre repentinamente, depois do qual os homens batizam de Campo Restrepo, em sua memória, um posto na extremidade da zona de guerra.

SANGUE E DINHEIRO

Ao longo de um ano, os soldados vigiam o acampamento, saem em patrulhas de rotina, e seu líder, o capitão Dan Kearney, procura fazer amizade com lideranças locais, com frequência lhes oferecendo dinheiro.

Em um enfrentamento sangrento com tropas do Taliban, os soldados lutam bravamente e tentam proteger uns aos outros. Eles vêem seus amigos morrer ou irromper em lágrimas quando o Taliban os cerca. E as câmeras de Junger e Hetherington estão com eles, o tempo todo.

Os repórteres também entrevistam os homens um ano depois de deixarem a zona de guerra, perguntando suas opiniões em retrospectiva.

Junger, conhecido por seu romance best-seller “A Tormenta”, e Hetherington, fotógrafo e cinegrafista aclamado, são colaboradores da revista Vanity Fair e já fizeram reportagens sobre guerras civis na África.

Eles disseram à Reuters que quiseram manter distância do aspecto político da guerra, dos presidentes Obama e Bush e do certo ou errado da guerra. Quiseram mostrar aos espectadores os soldados relacionando-se uns com os outros e com civis afegãos.

“Estamos treinando esses jovens a defender-se e a matar e estamos pedindo que deem conta dessas questões culturais muito complexas em países distantes”, disse Hetherington. “Precisamos vê-los em termos muito humanos para compreendê-los.”

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