29 de Junho de 2010 / às 21:05 / em 7 anos

Filho artista de Gaddafi expõe pinturas em Moscou

Por Amie Ferris-Rotman

MOSCOU (Reuters Life!) - O artista e reformador Saif al-Islam Gaddafi, filho do líder líbio a quem é atribuído o fato de ter mediado o fim do impasse de Trípoli com o Ocidente, manteve aquecidas as relações com a Rússia, na segunda-feira, quando expôs suas telas em Moscou.

“É bom aqui - somos amigos”, disse Saif al-Islam, 38 anos e de cabeça raspada, antes de conduzir autoridades russas pela exposição “O Deserto Não É Silencioso”, composto de 50 de suas telas, além de antiguidades romanas e líbias.

A exposição, que nos últimos oito anos vem percorrendo cidades ocidentais, de Londres a Montreal, é um tributo às ricas paisagens e fauna da Líbia, disse Saif al-Islam, que foi educado na Grã-Bretanha e tem predileção por tigres como animais de estimação.

“Tigre de Papel”, de 2001, mostra seu felino amado Fredo, agora morto, saindo de uma tela branca. Muitas outras telas mostram os contornos de animais pré-históricos espalhados pelo deserto líbio, com tonalidades douradas e vermelhas.

“Isto é para mostrar a nossos amigos russos que nós não apenas compramos armas e vendemos gás e óleo, mas também temos cultura, arte e história”, disse Saif al-Islam a jornalistas, enquanto um grupo folclórico líbio tocava música típica.

Mas três das telas destacam conflitos com o Ocidente.

“Intifada”, também de 2001, mostra um punho jovem segurando uma pedra com gotas de sangue. Recortes de jornal sobre um ataque israelense e um funeral palestino foram colados sobre tinta a óleo. “Guerra” destaca o bombardeio da Iugoslávia pela Otan em 1999.

“O Desafio”, de 1999, mostra cruzados carregando crucifixos em uma praia deserta, com um retrato em sépia de seu pai, Muammar Gaddafi, olhando desde o céu com atitude desafiadora.

Saif al-Islam tem o perfil público mais destacado dos filhos de Gaddafi, e, embora não exerça nenhum papel oficial, é visto como potencial sucessor de seu pai.

Na inauguração da exposição, na noite de segunda, ele negou estar interessado em seguir o caminho de seu pai, dizendo à Reuters: “Não tenho planos de ser um líder. Não pretendo ser rei.”

O influente prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, no cargo há 18 anos, disse que a mostra de Saif al-Islam é representativa da “amizade singular” entre Rússia e Líbia, que nos últimos dois anos fecharam uma série de acordos envolvendo armas e energia.

A mostra foi co-patrocinada pela estatal Russian Railways (Ferrovias Russas), atualmente trabalhando na construção de uma ferrovia de alta velocidade na costa mediterrânea da Líbia.

Analistas dizem que o filho de Gaddafi tem pouco apoio do Exército, cujo endosso é visto como vital se ele quiser ter um futuro político como substituto de seu pai, que, depois de 40 anos governando a Líbia, é o líder africano que está há mais tempo no poder.

Reportagem de Amie Ferris-Rotman, reportagem adicional de Salah Sarrar

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below