21 de Julho de 2010 / às 16:35 / em 7 anos

"Cidade dos homicídios" mexicana está fora de controle,diz autor

Por Robin Emmott

CIDADE DO MÉXICO (Reuters Life!) - Disputas entre cartéis de narcotráfico rivais saíram do controle, desencadeando uma onda de violência que as forças de segurança não conseguem conter, disse o autor de um novo livro sobre a crescente guerra das drogas no México.

“Murder City” (Cidade dos homicídios), o mais recente de mais de uma dúzia de livros do escritor norte-americano Charles Bowden sobre drogas e imigração na fronteira EUA-México, documenta os assassinatos de matadores, policiais e transeuntes em uma guerra do tráfico que já deixou mais de 26 mil mortos desde o final de 2006 e vem definindo a presidência de Felipe Calderón.

Residente no Arizona, Bowden passou vários meses em 2008 no submundo de Ciudad Juarez, ao sul de El Paso, no Texas, que é a principal rota de entrada de drogas nos Estados Unidos e é hoje a cidade mais violenta do mundo.

Misturando jornalismo com histórias sinistras e poéticas sobre um matador, uma vencedora de concurso de beleza, um jornalista e um padre, Bowden argumenta que os ataques em Ciudad Juarez -- tiroteios em plena luz do dia, decapitações e policiais assassinados -- não podem mais ser atribuídos unicamente à rivalidade entre Vicente Carrillo, chefe do cartel de Juarez, e Joaquin “Shorty” Guzman, que comanda o cartel de Sinaloa.

A disputa entre eles criou um inferno no qual jovens desempregados enxergam como seu único futuro ingressar em quadrilhas e atuar em incontáveis batalhas sobre tráfico de drogas, contrabandos e sequestros.

“Acho que Vicente Carrillo e Shorty Guzman não poderiam se dar um aperto de mãos e dizer ‘está terminado’. Acho que não existe ninguém que pudesse dar um telefonema hoje para parar com tudo isso”, disse Bowden em entrevista recente.

A violência em Ciudad Juarez começou a se agravar no início de 2008, quando Guzmán, o homem mais procurado do México, enviou assassinos à cidade para tentar ocupar o espaço do poderoso cartel de Juarez.

Bowden argumenta que o crime e os assassinatos hoje constituem quase as únicas maneiras de sobreviver em uma cidade deserta, onde metade dos adolescentes está desempregada ou não tem condições econômicas de estudar.

O livro acompanha assassinatos que ocorreram em Ciudad Juarez no primeiro quadrimestre de 2008, quando a violência começou para valer, incluindo os assassinatos de professores, policiais de trânsito, traficantes, motoristas de táxi e até mesmo meninas de 12 anos. Depois disso, escreveu Bowden, “a enxurrada de mortes tornou-se avassaladora.”

Para o escritor, que já passou longos períodos no México, a violência em Ciudad Juarez tem suas raízes não apenas na impunidade efetiva desfrutada por muitas gangues de drogas, mas também pela pobreza extrema exacerbada pelos baixos salários pagos em fábricas de proprietários norte-americanos.

“Esta é uma cidade que até recentemente era um exemplo do livre comércio. Era esse o modelo. O modelo está produzindo a morte. Está produzindo adolescentes que não encontram emprego, que não têm condições econômicas de ir à escola, que ingressam em quadrilhas e se tornam assassinos”, disse ele.

Mesmo antes do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), de 1994, Ciudad Juarez era um centro manufatureiro que produzia bens como televisores para o mercado dos EUA.

A região de Ciudad Juarez-El Passo movimentou 50 bilhões de dólares em comércio em 2008, mas o crescimento não lhe proporcionou infra-estrutura social, como parques ou transportes públicos, e a cidade é repleta de favelas e lixões.

Bowden disse que, para que a violência possa ser controlada, será preciso estudar as causas subjacentes à atividade das quadrilhas em Ciudad Juarez, onde operários de fábricas afirmam ganhar apenas 7 dólares por dia.

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