29 de Julho de 2010 / às 13:19 / em 7 anos

ESTREIA-Alcoolismo é tema do premiado francês "Um Novo Caminho"

SÃO PAULO (Reuters) - A autenticidade de uma história de fundo real, baseada na autobiografia do jornalista francês Hervé Chabalier, é o forte de “Um Novo Caminho”, drama francês que marca a estreia na direção do produtor Philippe Godeau e que estreia apenas em São Paulo.

Indicado a cinco César, a premiação máxima da França, o filme venceu o troféu de melhor esperança feminina para a jovem atriz Mélanie Thierry.

O experiente ator François Cluzet (de “Paris”) assume o papel do protagonista Hervé, um jornalista, dono de uma agência de notícias, que decide se internar numa clínica para se curar de um alcoolismo que vem destruindo sua vida pessoal e profissional.

Sustentando uma atuação interiorizada, Cluzet transmite a enorme tensão vivida por seu personagem, um homem atormentado pelos fantasmas da morte de uma irmã e as decepções de um passado idealista. Transmite, assim, a depressão que toma conta dele a esta altura e que o confronto com os demais pacientes da clínica, cada qual com seu perfil psicológico, não tarda a agravar.

Retratado em diversos tons em filmes como “Despedida em Las Vegas” (1995), “28 Dias” (2000) -- sem esquecer o clássico “Farrapo Humano” (45), com Ray Milland-- o alcoolismo recebe aqui um registro realista.

Em nenhum momento da história se evita abordar os aspectos mais brutais da doença, que são explicitados com chocante e proposital crueza por um médico que vai fazer uma palestra aos pacientes da clínica, vivido por Philippe du Janerand.

O tom realista mantém-se quando se revela a instabilidade de cada um dos pacientes que dividem o espaço com Hervé --como Pierre (Michel Vuillermoz), homem culto e divertido, mas que esconde a dor de ter destruído seu casamento com o vício pela bebida.

Detalhando o processo de enfrentamento destas pessoas com seu problema, que começa inevitavelmente pela negação --nenhum deles admite não ter controle sobre a bebida-- o filme cresce ao passar longe da pieguice e do moralismo. O esforço de cada personagem diante do desafio de superar suas limitações é valorizado.

A rotina da clínica é rompida pela chegada de uma jovem, Magali (Mélanie Thierry), que, com sua rebeldia, desafia as regras e atrai a atenção de Hervé, que se apaixona por ela.

O sentimento e seus problemas humanizam ainda mais o protagonista que, afinal, consegue despertar mais simpatia do que no começo, quando sua introversão beirava o limite do insuportável.

Desdobrando pouco a pouco as camadas deste personagem, Cluzet revela-se uma escolha acertada para o papel que, na fase de pré-produção foi cogitado para os atores Daniel Auteuil, Dany Boon e Christian Clavier.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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