19 de Agosto de 2010 / às 18:09 / em 7 anos

ENTREVISTA-Emma Thompson fala do novo "Nanny McPhee"

Por Bob Tourtellotte

LOS ANGELES (Reuters Life!) - O sucesso não é novidade na vida de Emma Thompson, mas quando o filme “Nanny McPhee - A Babá Encantada”, que ela escreveu e estrelou, vendeu 122 milhões de dólares em ingressos no mundo em 2005, muitos observadores do cinema se surpeenderam.

Na sexta-feira, Emma, duas vezes premiada com o Oscar (pelo roteiro adaptado de “Razão e Sensibilidade” e como atriz principal de “Retorno a Howard’s End”), voltará com maquiagem assustadora no papel da babá durona, agora em “Nanny McPhee e as Lições Mágicas”.

No novo filme, a babá aparece na casa da família Green quando o pai foi à guerra, a mãe (Maggie Gyllenhaal) está tendo dificuldade em cuidar de seus dois filhos e da fazenda da família, e, justamente quando achava que não conseguiria dar conta de tudo, surgem outras duas crianças da cidade, desencadeando batalhas infantis entre as crianças.

Thompson, 51 anos, conversou com a Reuters sobre seu trabalho de roteirista e os filmes “Nanny McPhee,” baseados indiretamente nos livros sobre outra babá durona, Matilda.

Pergunta: Você leu os livros sobre Matilda quando era criança?

Resposta: Sim, e um dia quando estava tirando o pó de minha biblioteca encontrei esse livrinho. Eu tinha acabado de fazer “Razão e Sensibilidade” e achei que havia algo de muito cinematográfico nessa personagem (Matilda), porque seu rosto muda entre o começo e o fim, embora ela não mude internamente.

Hoje em dia vivemos sob o domínio de uma beleza muito superficial, algo que acho profundamente preocupante e que não contribui em nada para a felicidade humana. Para mim, Nanny McPhee é uma grande rebelião contra tudo isso.

P: Nanny McPhee não é Mary Poppins, que era toda adocicada. Nanny McPhee é intransigente. Por que isso é melhor?

R: A liberdade extrema é difícil demais para nós, especialmente quando somos crianças. Precisamos não apenas de regras, mas de limites. É claro que precisa haver alguma liberdade, e você precisa ter direito a ser corajoso, errar, machucar-se e tudo isso. Mas é preciso haver limites, senão ficamos infelizes.

P: Por que a necessidade de escrever histórias, e não ser atriz apenas? As duas atividades são criativas, mas muito diferentes.

R: Gosto de escrever. É difícil, e há muitos momentos em que não quero fazer. Mas a satisfação que senti ao ver “Razão e Sensibilidade” tomando forma foi tão enorme que achei que eu gostaria de sentir isso outra vez. Adoro escrever minhas próprias coisas.

P: É porque você tem algo a dizer - no caso de “Nanny McPhee,” sobre a educação infantil - e sente necessidade de se expressar?

R: Não sou alguém que necessariamente usa histórias para esse objetivo. Conto histórias para entreter. Essa é minha função primeira. Mas, por causa de meus sentimentos, essas histórias vão necessariamente ter um certo tipo de conteúdo emocional. É por isso que não fujo do medo da morte, do divórcio, de todas as coisas que afetam as crianças de alguma maneira. É muito importante que as crianças ouçam histórias que tratam disso e que os problemas não sejam todos resolvidos por poderes mágicos ou adultos - que, em alguns casos, haja problemas que fiquem sem ser resolvidos.

P: Falando nisso, a guerra é um pano de fundo de “Nanny McPhee.” A maioria dos produtores de Hollywood evitaria tratar da guerra em um filme para a família. Por que contrariar essa convenção?

R: A possibilidade de uma pessoa retornar da guerra é muito real, e a possibilidade de ela não retornar é muito real.

Eu queria muito também tratar da questão da mãe sozinha, e embora a Sra. Green não seja solteira, já que é casada, concretamente ela está sozinha.

P: Você escolheu Maggie Gyllenhaal para ser essa mãe. Ela é conhecida por fazer filmes independentes, não filmes para o público familiar. Por que ela?

R: Eu a conheci em “Mais Estranho que a Ficção” e nos demos muito bem. Lindsay (Doran, a produtora) conversamos sobre isso e achamos que Maggie seria ótima. Ela é mãe. Ela é uma atriz seriamente boa, capaz de fazer praticamente qualquer coisa. E ela arrasou no papel.

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