9 de Setembro de 2010 / às 23:23 / em 7 anos

Lançamento de memórias de ex-refém atrai centenas em Viena

Por Sylvia Westall

<p>A austr&iacute;aca Natascha Kampusch, que passou oito anos como ref&eacute;m, lan&ccedil;a sua autobiografia, o livro "3.096 Dias". REUTERS/Leonhard Foeger</p>

VIENA (Reuters Life!) - Centenas de pessoas lotaram uma livraria de Viena na noite de quinta-feira para ouvir Natascha Kampusch ler trechos da autobiografia em que narra como passou oito anos presa num porão por um maníaco.

Wolfgang Priklopil capturou Kampusch quando ela tinha dez anos e estava indo para a escola. Manteve-a numa cela sem janelas até que ela conseguisse fugir, em agosto de 2006. Priklopil cometeu suicídio horas depois.

A autobiografia dela, chamada “3.096 dias”, foi lançada nesta semana na Áustria. A moça, hoje com 22 anos, conta como o sequestrador a fez passar fome, a agredia, abusava sexualmente dela e a obrigava a limpar sua casa seminua, chamando-a de “escrava”.

Mas o livro mostra também como Kampusch sobreviveu obedecendo ao sequestrador, aprendendo a vê-lo como um ser humano perturbado e evitando ser “consumida pelo ódio”.

A agora escritora viajará no domingo a Londres para divulgar a versão em inglês do livro. Em alemão, ele já está em segundo lugar na lista de mais vendidos do site Amazon. Um filme sobre a história dela deve ser lançado em 2012.

“Bastante tempo já passou. Quero finalmente ficar livre desse peso nas minhas costas”, disse ela às cerca de 800 pessoas - a maioria mulheres e adolescentes - ao explicar as razões para lançar o livro. Durante a leitura, sua voz às vezes estava trêmula, às vezes, confiante.

“Não produzi este livro para ganhar dinheiro. Eu queria tratar dessa história, trabalhar em cima dela, é para as pessoas que quiserem ler a minha verdadeira história”, disse ela por trás da franja loira, ocasionalmente exibindo um sorriso tímido.

Kampusch contou que a experiência a ensinou a ser forte e a ter empatia pelo sofrimento alheio.

Ela descreveu a primeira noite que passou em cativeiro e a fome e desespero que sentiu quando Priklopil a deixou vários dias sem comer, até finalmente atirar um saco de cenouras na cela.

“Ele me dizia que eu estava melhor com ele, e que meus pais não estavam me procurando e não sentiam a minha falta”, contou ela, acrescentando que às vezes acreditava nisso, “porque ninguém veio me libertar”. Ela tinha pavor de ser morta por ele.

A Áustria voltou a ficar chocada por um caso de abuso em 2008, quando descobriu-se que Josef Fritzl havia mantido sua filha Elisabeth em cativeiro durante 24 anos e tido sete filhos com ela, um dos quais ele matou por negligência. Fritzl está cumprindo pena de prisão perpétua.

Tanto Elisabeth quanto seu pai estão escrevendo autobiografias, segundo a imprensa austríaca.

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