8 de Novembro de 2010 / às 16:48 / em 7 anos

Houellebecq vence cobiçado prêmio francês de literatura

PARIS (Reuters Life!) - Michel Houellebecq, o polêmico escritor francês de ficção, levou para casa o prestigioso prêmio Goncourt nesta segunda-feira depois de dominar o cenário de literatura francesa durante anos sem nenhum reconhecimento do comitê do prêmio.

<p>Escritor franc&ecirc;s Michel Houellebecq comemora em restaurante de Paris ap&oacute;s ter recebido o pr&ecirc;mio Goncourt de literatura. REUTERS/Benoit Tessier</p>

Houellebecq, que publicou seu primeiro romance em 1994 e consolidou sua reputação alguns anos depois, com “Plataforma”, que aborda o turismo sexual e o fundamentalismo islâmico quase que simultaneamente, foi ignorado repetidas vezes pelo Goncourt, equivalente francês do Pulitzer.

Desta vez o júri votou com sete a favor e um contra para reconhecer o mais recente trabalho de Houellebecq, uma sátira mordaz do mundo da arte na França, intitulado “O Mapa e o Território”. O livro já havia sido desprezado duas vezes.

Houellebecq, um ex-funcionário público, de voz suave, na casa cinquenta e poucos anos, foi condenado por grupos muçulmanos ao equiparar sua religião à violência. Ele disse estar “profundamente feliz” por ter ganho o prêmio.

“Existem pessoas que ouvem sobre a literatura contemporânea graças ao Goncourt, e a literatura não está no centro das preocupações dos franceses, então, é significativo”, disse ele a jornalistas no restaurante onde o prêmio foi entregue.

Com seu estilo de humor negro e amargo, Houellebecq conquistou uma ampla gama de fãs no exterior enquanto outros autores franceses sofrem dificuldades para causar uma impressão duradoura.

Seu mais recente livro, é uma viagem satírica pela sociedade francesa moderna, uma obra que alfineta a ilusão existente no mundo da arte e na cultura de celebridades.

As acusações de plágio receberam pouca atenção na mídia francesa e Houellebecq criticou seus acusadores por não compreenderem o propósito: os trechos extraídos do Wikipedia faziam parte da sátira, segundo o escritor.

Reportagem de Elizabeth Pineau

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