21 de Fevereiro de 2011 / às 23:41 / 7 anos atrás

Palácios e sotaques favorecem "Discurso do Rei" no Oscar

Por Jill Serjeant

<p>O ator Colin Firth fala a jornalistas no Festival de Cinema de Berlim, 16 de fevereiro de 2011. REUTERS/Tobias Schwarz</p>

LOS ANGELES (Reuters) - Parece provável que o Oscar se renda a “O Discurso do Rei” no próximo domingo, provando que não há nada como um sotaque britânico, algumas construções históricas e, o melhor de tudo, algumas figuras da realeza para deixar Hollywood alvoroçada.

Poucos americanos tinham ouvido do rei George 6o -- o monarca que conduziu a Grã-Bretanha para a 2a Guerra Mundial e foi pai da atual rainha Elizabeth -- antes de Colin Firth representá-lo em “O Discurso do Rei”, como um homem tímido e gago.

Agora muitos americanos já conhecem sua história e, se o filme for premiado em 27 de fevereiro, muitos outros vão querer saber mais sobre ele.

E é muito provável que “O Discurso do Rei” leve para casa pelo menos alguns Oscar, já que recebeu 12 indicações da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, mais que qualquer outro filme. Na realidade, “Discurso” é visto como favorito para o Oscar de melhor filme.

Ao longo da história dos EUA os americanos sempre sentiram fascínio pela pompa real, mesmo em uma tela de cinema. Em 1860 o piso de um salão de bailes em Nova York desabou sob o peso de milhares de pessoas que se reuniram para ver o ainda adolescente príncipe Albert Edward.

No momento os americanos estão acometidos de “febre de casamento real” suscitada pela união do príncipe William com Kate Middleton, marcada para abril.

“Apesar de termos vencido a guerra de independência dos EUA, ainda nos rendemos à realeza britânica. Adoramos o sotaque britânico, que soa tão mais chique, e ao longo da história do Oscar percebe-se um viés evidente por filmes britânicos”, disse Tom O‘Neil, dos sites especializados em premiações de cinema goldderby.com e theenvelope.com.

Os críticos, o público e os sindicatos profissionais de Hollywood reagiram calorosamente à história humana de “Discurso”, sobre amizade, coragem e vitória sobre adversidades, apresentada por um elenco forte que inclui os indicados ao Oscar Helena Bonham Carter e Geoffrey Rush, além do próprio Colin Firth.

O fato de os assessores da rainha Elizabeth terem revelado que ela achou o filme “comovente e agradável”, depois de assistir a uma sessão reservada em janeiro, funcionou como o endosso máximo.

Filmes de época britânicos com frequência se saem bem nos Oscar.

Helen Mirren ganhou seu Oscar por retratar a rainha Elizabeth em “A Rainha”, de 2006. “Assassinato em Gosford Park”, de 2001, valeu um Oscar de melhor roteirista a Julian Fellowes, e “Shakespeare Apaixonado”, de 1998, levou sete Oscar, incluindo um para Judi Dench pelo papel da rainha Elizabeth 1a, do século 16.

Uma das coisas mais espantosas desta temporada de premiações vem sendo a maneira em que “O Discurso do Rei” passou à frente de “A Rede Social”, um dos primeiros filmes a ser visto como favorito ao Oscar.

“A Rede Social” recebeu os primeiros prêmios de grupos de críticos americanos, mas “O Discurso do Rei” mudou tudo quando começou a ser escolhido por sindicatos profissionais como os dos produtores, dos diretores e dos atores dos EUA.

“‘A Rede Social’ é a epítome do filme americano, mas enfrentou um drama histórico britânico clássico sobre a realeza”, disse O‘Neil. “Se um plebeu britânico sofresse da mesma gagueira, nós o ignoraríamos, adoradores que somos da família real.”

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