16 de Março de 2011 / às 21:52 / em 7 anos

Cantor Martelly corteja eleitores haitianos com discurso popular

Por Pascal Fletcher

<p>Mulher passa em frente a p&ocirc;steres com propagandas dos candidatos &agrave; presid&ecirc;ncia do Haiti Michel Martelly e Mirlande Manigat, em Porto Pr&iacute;ncipe. 16/03/2011 REUTERS/Eduardo Munoz</p>

THOMONDE, Haiti (Reuters) - O cantor de música carnavalesca e candidato à Presidência do Haiti Michel “Sweet Mickey” Martelly está encantando a multidão, usando de sua experiência de artista popular.

Gesticulando com uma mão e contando piadas em francês crioulo, o cantor de 50 anos e cabeça raspada atrai aplausos e gargalhadas da plateia, demonstrando as habilidades comunicativas e o toque popular que ele espera que o levem à Presidência do país no segundo turno eleitoral que terá lugar no domingo.

Longe de se desanimar com as sugestões feitas pelos partidários de sua adversária, a ex-primeira-dama e professora de direito Mirlande Manigat, que tem 70 anos e bem mais experiência política, de que Martelly não possui o perfil para ser presidente, o cantor converteu a questão de personalidade em uma arma de sua campanha.

Respondendo às farpas lançadas por críticos para os quais seu passado irreverente como artista iconoclasta, que inclui façanhas como tirar as calças sobre o palco, o desqualificariam para ser presidente, o rico astro da música carnavalesca haitiana, a Konpa, não demonstra nenhum arrependimento pelo que já fez.

“Estão dizendo que deixei minhas calças cair. É verdade, mas as vesti de novo”, disse ele, arrancando gargalhadas da plateia em sua maioria jovem que lota a praça da cidade agrícola de Thomonde, no planalto central do Haiti.

“Há gente que vem deixando as calças cair nas cabeças dos haitianos há 20 anos no Palácio Nacional, mas nunca as vestiu de novo”, ele gritou no microfone, trajando jeans e uma camisa polo cor de rosa.

No segundo turno do domingo, em que será escolhido o sucessor do presidente René Préval, a política parece estar em segundo plano diante dos estilos pessoais na disputa pela escolha de um líder para o país menos desenvolvido do hemisfério ocidental.

Arcado há décadas sob o peso da pobreza, corrupção e má administração, o país caribenho ainda ostenta as marcas de um terremoto devastador de 2010 que matou mais de 300 mil pessoas. Depois do terremoto, o país ainda foi assolado por enchentes e por uma epidemia letal de cólera.

A Organização das Nações Unidas (ONU), que mantêm uma força de paz de mais de 12 mil pessoas no Haiti, os EUA e outros grandes doadores estrangeiros esperam que o segundo turno do domingo resulte em uma liderança estável, evitando o caos, a fraude generalizada e a turbulência que marcaram o primeiro turno da eleição, em 28 de novembro.

O novato político Martelly diz aos eleitores que seu estilo dinâmico é justamente o que o país precisa para varrer para longe as teias de aranha de um establishment político visto pela maioria da população como egoísta, corrupto e ineficiente.

Uma pesquisa de opinião recente conduzida pelo instituto local Brides apontou vantagem para Martelly no segundo turno, atribuindo a ele quase 51 por cento das intenções de voto, enquanto Manigat teria 46 por cento.

Reportagem adicional de Joseph Guyler Delva

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