7 de Abril de 2011 / às 19:01 / 7 anos atrás

ESTREIA-Animação "Rio" leva vibração real da cidade para a tela

SÃO PAULO (Reuters) - Era preciso um brasileiro para fazer um filme sobre o Rio de Janeiro. Esqueça os olhares estrangeiros, a falta de sensibilidade gringa para compreender a cor, o ritmo e o gingado. Na animação “Rio”, do carioca Carlos Saldanha -- mesmo diretor da série “A Era do Gelo” -- a Cidade Maravilhosa está lá, toda captada na tela, em suas qualidades e problemas, embora esses venham um pouco amenizados. Afinal, este é um filme que tem primariamente como público as crianças.

“Morando nos Estados Unidos, percebi que muita gente já ouviu falar da cidade. Mas poucos a conhecem de verdade. Minha vontade era trazer a vibração do Rio para o cinema. Era um grande desafio, porque precisava mostrar uma cidade muito autêntica para convencer quem mora aqui”, disse Saldanha na entrevista coletiva de lançamento mundial do filme no Rio, que contou com vários atores internacionais que dublam os personagens na versão em inglês.

Estreando em cerca de mil salas, “Rio” torna-se o maior lançamento em cinema no Brasil, onde entra em cartaz em estreia mundial, antes de qualquer outro país. No centro da história está a ararinha azul Blu (voz de Jesse Eisenberg, na versão legendada; Gustavo Pereira, na versão dublada), uma ave que foi capturada ainda filhote e contrabandeada para os Estados Unidos. Vai parar na fria Minnesota, onde mora com sua dona Linda (Leslei Mann; Sylvia Salustti), dona de uma livraria, que tem a ave como única companhia.

Blu, que está totalmente adaptado, tem a chance de reencontrar suas raízes quando ele e sua dona são procurados por Túlio (Rodrigo Santoro, dublando as duas versões), um biólogo brasileiro que pretende levar a ave de volta para o Rio de Janeiro para que ela cruze com Jade (Anne Hathaway; Adriana Torres), a única fêmea viva da espécie em extinção.

Apesar de interpretar Jade, Anne Hathaway confessou que se identifica mais com o outro personagem. “Sou mais parecida com Blu, porque a Jade se protege demais, é muito solitária, fechada em si. Eu sou mais doce e carinhosa, como o outro personagem”.

A chegada de Linda e Blu ao Rio de Janeiro é retratada como um choque cultural. Em pleno carnaval, encontram ruas fechadas, gente sambando para todo lado e muita música. Mas não são apenas os personagens que se fascinaram com a Cidade Maravilhosa. Anne confessou que só topou fazer o filme porque, ao final, sabia que viria ao Rio de Janeiro. “Foram três anos de trabalho, muitos deles numa sala escura, só pela promessa de que um dia nos trariam para o Rio de Janeiro.”

Os atores não foram os únicos a visitarem a cidade. Saldanha, durante a produção, trouxe sua equipe para que eles se familiarizassem com o Rio de Janeiro. “Foi uma maratona de cinco dias, eles vivenciaram muita coisa. Tudo isso para criar detalhes que tornariam o filme especial, não uma animação genérica”.

Apesar dessa preocupação com a fidelidade ao mundo real, o diretor confessa que foram necessárias algumas adaptações. “Tivemos de fazer alguns ajustes, como no tamanho dos biquínis das sambistas e na praia. Afinal, esse é um filme para toda a família”, brinca o diretor.

No Rio de Janeiro, Blu e Jade serão capturados por um pequeno órfão (Jake T. Austin; Cadu Paschoal) e entregues para um chefão da venda ilegal de animais, Marcel (Carlos Ponce; Ricardo Schnetzer). Quando a dupla consegue fugir, suas pequenas pernas estão acorrentadas. Como Blu, sempre vivendo em cativeiro, não aprendeu a voar, eles são obrigados a correr, na companhia de outras três aves, o tucano Rafael (George Lopez; Luiz Carlos Persy), Nico (Jamie Foxx; Alexandre Moreno) e Pedro (Will.i.am; Mauro Ramos), enquanto são perseguidos por uma malvada cacatua (Jemaine Clement; Guilherme Briggs).

“Rio” também é um filme de referências e homenagens. Blu e Jade não se dão bem, mas precisam se suportar, pois estão acorrentados um ao outro -- tal qual o casal de “Os 39 degraus”, de Alfred Hitchcock. Na cena em que fogem pela favela, há imagens bem parecidas com a galinha em fuga de “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. Mas são os antigos musicais -- com uma piscadela para Carmem Miranda, lembrada no chapéu de frutas do cachorro Luiz -- que se sobressaem no longa de Saldanha. Não que a ação pare para os personagens cantarem. As músicas estão bem inseridas na narrativa e fazem desses números um show à parte.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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