20 de Abril de 2011 / às 17:48 / em 7 anos

ESTREIA-"Minha Versão do Amor" retrata vida agitada de boêmio

SÃO PAULO (Reuters) - O ator Paul Giamatti impregna seu personagem, Barney Panofsky, de tanta verdade que se tem permanentemente a impressão de estar assistindo a uma cinebiografia calcada em fatos reais em “A Minha Versão do Amor”.

<p>Ator Paul Giamatti durante coletiva de imprensa para seu filme "Minha Vers&atilde;o do Amor" no Festival de Toronto, em setembro. 12/09/2010 REUTERS/Mike Cassese</p>

Mérito desse ator extraordinário, que dá uma vida plena ao protagonista da versão cinematográfica do romance do canadense Mordecai Richler.

Essa atuação impecável deu ao ator o Globo de Ouro 2011 -- e ficou faltando uma indicação ao Oscar. Nada que abale realmente Giamatti, que consegue transitar entre as várias fases e idades de Barney, da juventude à velhice, com uma desenvoltura exemplar.

Barney não é uma figura simples de entender, nem fácil de gostar. Produtor de TV tresloucado, boêmio e um tanto chegado à bebida e às mulheres, ele leva sua vida como um turbilhão permanente. Jovem, casou-se em Roma com Clara (Rachelle Lefevre), vivendo a batida dos loucos anos 1960, com muito sexo, drogas e rock‘n roll.

Nada disso dura, e eis Barney caminhando para um segundo casamento, com uma mulher judia como ele, convenientemente educada e rica (Minnie Driver).

O choque cultural não é tanto entre o noivo e os sogros esnobes (Harvey Atkin e Linda Sorenson), mas entre estes e o pai de Barney -- o policial Izzy (Dustin Hoffman), um sujeito simplório, cafona e sem noção, capaz de contar-lhes piadas sujas em plena festa de casamento.

Justamente a festa vai ser a perdição de Barney, que se apaixona ali mesmo, irresistivelmente, por uma convidada, a radialista Miriam (Rosamund Pike) -- que vai ser a mulher de sua vida. Naquele momento, ainda nenhum dos dois sabe disso, mas as encrencas que se seguem temperam o romance de adoráveis incidentes e alguns desacertos.

A estrada de Barney fica bem mais tortuosa quando ele se torna suspeito do assassinato de seu melhor amigo, o farrista Boogie (Scott Speedman). Boogie sumiu justamente depois de uma longa noite de bebedeira na casa de fim de semana de Barney, diante de um grande e fundo lago.

Uma sábia decisão na condução da história guarda segredo sobre o real destino de Boogie até o final. Até ali, o espectador compartilha de todas as dúvidas possíveis sobre quem é, afinal, este Barney instável, capaz de lembrar-se ao final da vida de todos os seus erros, mas sem pretender ter evitado nenhum. Talvez um só. E ele tem a ver com Miriam.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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