30 de Maio de 2011 / às 19:35 / em 7 anos

Palestino cria carimbo artístico para passaportes

Por Jihan Abdalla

RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - É diferente de qualquer outro controle de passaportes no mundo.

Não há nenhuma autoridade séria sentada atrás de uma parede de vidro, nenhuma vistoria de passaporte, não há perguntas sobre para onde você vai. Em vez disso, um artista solitário saúda visitantes que chegam e lhes pergunta educadamente se gostariam de um carimbo de entrada.

Por viverem em território ocupado, os palestinos não têm o direito de criar seus próprios controles de fronteira. Qualquer pessoa que passe pelos postos de checagem israelenses mergulha rapidamente nas ruas agitadas de cidades da Cisjordânia, como Ramallah.

Mas o estudante de arte Khaled Jarrar decidiu preencher esse vazio institucional com um carimbo bonito que ele próprio criou e que oferece aos estrangeiros quando eles descem de ônibus.

“Acredito que a arte faz diferença, que ela revela transformações. Minha arte está fazendo uma afirmação política”, disse Jarrar, rejeitando as galerias de arte tradicionais em favor da caótica estação rodoviária central de Ramallah.

Enquanto muitos turistas que chegam da vizinha Jerusalém parecem entusiasmar-se com o projeto, poucos se dispõem a entregar seus passaportes preciosos em nome da arte.

O canadense Jeff Reynolds ouve atentamente enquanto Jarrar explica a ideia por trás do carimbo não oficial, mas então rejeita o carimbo educadamente, temendo que as autoridades israelenses lhe criem problemas quando ele tentar embarcar de volta a seu país.

“Tenho medo de perder meu voo no aeroporto de Tel Aviv se me interrogarem por muito tempo sobre isso”, disse ele, aludindo aos guardas de segurança que submetem passageiros a interrogatórios extensos quando vão deixar o país, perguntando onde foram e com quem se encontraram.

TRANSMITIR UMA MENSAGEM

Os palestinos querem criar um Estado independente na Cisjordânia e Faixa de Gaza, tendo Jerusalém oriental como sua capital, em terras tomadas por Israel na guerra de 1967.

Quase 20 anos de negociações de paz intermitentes não renderam um acordo, e agora os palestinos dizem que em setembro vão pedir a aprovação das Nações Unidas para a criação de seu Estado soberano.

Diplomatas dizem que a iniciativa tem poucas chances de êxito, o que significa que Jarrar, 35 anos, pode ser o único controlador de passaportes palestino na Cisjordânia por algum tempo ainda.

Seu carimbo pequeno e redondo é circulado pelas palavras “Estado da Palestina” escritas em árabe e inglês. No meio há um desenho do Pássaro do Sol palestino voando perto de flores delicadas.

“Com relação à questão do Estado palestino, acho que transmiti a mensagem. Acho que fiz o que pude”, disse Jarrar, que criou uma página no Facebook para promover seu carimbo, a Live-and-work-in-Palestine.

Depois de várias recusas polidas, Jarrar finalmente encontra alguns estrangeiros que concordam em lhe entregar seus passaportes.

“Sou muito a favor da causa palestina e acho que o que existe aqui é uma ocupação. Acho um ultraje que os palestinos não tenham o direito a ter sua própria autoridade”, disse Morgana Benedetti, vinda da Itália e que está visitando a Cisjordânia.

Ela pede a Jarrar que carimbe a página 9 de seu passaporte -- o 9 é seu número favorito -- e diz que é importante para ela ter um carimbo israelense e outro palestino.

“É uma bobagem, mas é como um país. Ganho um carimbo de Israel mas não um da Palestina?”, disse ela.

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