12 de Agosto de 2011 / às 12:31 / 6 anos atrás

James Cameron diz que 3D ainda tem muito a melhorar

Por John Gaudiosi

James Cameron ouve pergunta de jornalistas durante entrevista coletiva na Cidade do México, em 2010. REUTERS/Henry Romero

RALEIGH, Estados Unidos (Reuters) - Desde que “Avatar” arrecadou 2,8 bilhões de dólares nas bilheterias mundiais, Hollywood inunda os cinemas do mundo com filmes em 3D, mas alguns observadores do setor dizem que o público está começando a se sentir afogado nisso.

Embora nesta temporada de férias alguns filmes em 3D tenham superado a marca global de 1 bilhão de dólares, há queixas na imprensa e entre os espectadores sobre a má qualidade de alguns filmes que são convertidos para 3D, em vez de serem filmados diretamente nesse sistema.

James Cameron, diretor de “Avatar”, acha que Hollywood precisa fazer algumas mudanças para reconquistar os fãs. Ele e seu sócio Vince Pace andam ocupados preparando sequências desse filme, além de colaborar com cineastas como Michael Bay (“Transformers”) e Kevin Tancharoen (“Glee: The 3D Concert Movie”), filmes que usaram as câmeras Fusion 3D, criadas por Cameron e Pace especialmente para “Avatar”.

Cameron acha que alguns exibidores estão prejudicando o negócio do 3D, e que em breve Hollywood irá oferecer descontos para ingressos nos filmes em 2D.

O cineasta falou com exclusividade à Reuters.

P.: Por que a reação depois do lançamento de todos esses filmes em 3D?

R.: Acho que a imprensa exagerou na chamada “reação”. Se você olhar o faturamento total, não é um problema. Há mais filmes em 3D do que nunca. Então eles tendem a dividir o mercado, mas o faturamento total do 3D cresce consistentemente desde que ele começou, há quatro ou cinco anos.

P.: O que o senhor acha que Hollywood precisa fazer para envolver o público nos filmes em 3D, do ponto de vista criativo?

R.: Este é um bom momento para Hollywood admitir que precisa se empenhar mais para manter a ideia de que o 3D é uma experiência “premium”. Não podemos pegar caminhos baratos para oferecer um título em 3D no mercado. Não sou um grande fã da conversão para o 3D, porque acho que produz o que eu chamo de “2D e meio”. Ele não tem a profundidade do 3D nativo, que foi realmente fotografado em 3D. A pós-conversão tende a ser um pouco mais dura para os olhos, e não dá uma boa experiência de profundidade. A plateia está reagindo e dizendo: “Espere um minuto, estou pagando um adicional no ingresso, e não estou recebendo o valor agregado que eu queria do 3D.”

P.: Então, para onde vamos?

R.: Duas coisas estão acontecendo. Uma, que o 3D não é tão exótico quanto já foi, e as pessoas estão percebendo que não devem ir ver um filme só porque é em 3D. Quando era exótico, as pessoas iam ver qualquer coisa em 3D. Segundo, há mais filmes em 3D por aí. As pessoas estão mais seletivas com o que veem em 3D com base apenas no filme em si, no enredo, nos atores... Eu sempre previ que isso fosse acontecer quando o 3D encontrasse seu lugar de direito, assim como foi com a cor, como foi com o som.

P.: O valor mais caro dos ingressos para filmes 3D, especialmente na economia atual, está impactando a bilheteria?

R.: Conforme o tempo passar nas próximas temporadas, ficará cada vez mais difícil defender o preço para a experiência “premium”. Não porque a qualidade não está sendo mantida, mas porque mais e mais filmes são feitos em 3D e, em determinado ponto, a maioria, ou seja 51 por cento ou mais, dos grandes filmes será feita em 3D. Quando o 3D for o padrão, você terá que dar um desconto para filmes 2D. Você não poderá cobrar um valor premium para os de 3D.

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