9 de Setembro de 2011 / às 22:10 / em 6 anos

Documentário leva revolta no Egito ao festival de Veneza

Por Silvia Aloisi

VENEZA, Itália (Reuters) - A insurreição de 18 dias que derrubou o presidente Hosni Mubarak está no centro de “Tahrir 2011”, um documentário cujo nome remete à praça do Cairo que se tornou o ponto de encontro para os manifestantes e que estreia no festival de cinema de Veneza.

O filme é dividido em três capítulos - O Bom, O Mau e o Político --, cada um deles dirigido por um realizador diferente e enfocando, respectivamente, os manifestantes, as forças policiais e Mubarak.

As três seções mesclam imagens reais dos protestos, da repressão promovida pelo temido aparato de segurança e dos discursos de Mubarak diante da revolta crescente com entrevistas com ativistas, oficiais da polícia, assessores de Mubarak e analistas políticos.

“É um filme colagem que oferece três pontos de vista diferentes sobre os mesmos acontecimentos”, disse Tamer Ezzat --que, assim como os outros dois co-diretores egípcios, filmou os protestos ao mesmo tempo em que participa deles-- a jornalistas em Veneza.

“A mensagem que tento passar é de que a revolução ainda está acontecendo. A renúncia de Mubarak marcou um ponto de virada, mas não podemos dizer que isso é quando a história acaba.”

Amr Salama, que dirigiu o capítulo sobre Mubarak, de 83 anos, disse que foi uma tentativa séria e ao mesmo tempo satírica de “entrar no cérebro” do líder deposto.

O trecho inclui um guia com 10 passos de como se tornar um ditador, que inclui desde pintar o cabelo, criar falsos inimigos a até cultivar o culto à personalidade.

Entre os entrevistados está o médico Hossam Badrawi, um dos conselheiros mais próximos de Mubarak nos dias finais de seu governo que conta como tentou em vão abrir os olhos do ex-presidente.

“Mubarak estava em negação total, é quase como se ele estivesse observando e testemunhando uma outra coisa e não o que acontecia nas ruas”, afirmou Salama, falando em inglês.

“Depois de 30 anos ele não é o líder que ele pensava ser. Eu estava interessado em retratar a imagem horrível de um ditador e ao mesmo tempo o acontecimento dramático da queda dele e da auto-revelação de que não era um líder, mas um ditador e que o povo de seu país o odeia.”

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