28 de Outubro de 2011 / às 12:23 / 6 anos atrás

Filme sobre Chernobyl chega ao público japonês pós-Fukushima

Por Chris Gallagher

TÓQUIO (Reuters) - O filme “Land of Oblivion” pode estar retratando as vítimas do desastre de Chernobyl, ocorrido há um quarto de século, mas o público japonês verá semelhanças gritantes com as manchetes atuais depois da crise nuclear de Fukushima.

O dano ambiental, zonas de exclusão e testes de radiação são apenas algumas das imagens do filme que lembram a catástrofe de Fukushima, que começou depois de uma série de explosões desencadeadas pelo terremoto e tsunami de 11 de março.

A roteirista e diretora Michale Boganim disse que havia concluído as filmagens quando soube do desastre na usina nuclear de Fukushima.

“Foi muito perturbador para mim, foi como uma repetição da história”, disse ela após uma sessão de perguntas e respostas no Festival Internacional de Cinema de Tóquio.

“Land of Oblivion” acompanha Anya (Olga Kurylenko de “007 - Quantum of Solace”), cuja vida vira de ponta-cabeça quando seu marido, o bombeiro Piotr, é convocado no dia de seu casamento para combater um “incêndio florestal”. Ele não volta para casa.

As plantas começam a murchar e soldados bloqueiam as ruas, mas ninguém sabe o que está acontecendo em Pripyat, uma cidade construída para trabalhadores de uma usina nuclear próxima, até que o governo admite o acidente nuclear dois dias depois, retirando do local uma população de 50 mil pessoas.

Dez anos depois, a cidade antes pitoresca de Pripyat se torna um deserto de apartamentos abandonados e cobertos de ervas daninhas, e Anya e outros personagens precisam lidar com o trauma de terem sido obrigados a deixar a terra natal.

O filme, produzido pela empresa francesa Les Filmes du Poisson, teve sua estreia mundial no Festival de Veneza no mês passado.

“Não quero ver as explosões, está implícito no filme. Eu não queria mostrar isso. Eu queria que as pessoas sentissem a sensação daqueles que viveram Chernobyl. Eu queria mostrar o drama”, afirmou a cineasta.

O trauma da terra natal perdida é muito real em Fukushima, onde cerca de 80 mil pessoas foram obrigadas a se retirar por conta da crise nuclear e não sabem quando -- ou se -- poderão voltar para suas casas dentro da zona de exclusão de 20 quilômetros.

Isso teve pesadas consequências psicológicas, além da perda de empregos, medo da exposição de longo prazo à radiação e mesmo a discriminação.

Bogamim, que nasceu em Israel e estudou cinema em Paris e em Londres, disse que a segunda parte do filme foi gravada na própria zona de exclusão de Pripyat, com cenas filmadas nas casas onde os trabalhadores de Chernobyl costumavam ficar.

O filme teve um impacto claro sobre uma espectadora de Tóquio:

“Eu sinto como se fosse nosso filme”, disse uma mulher.

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