11 de Janeiro de 2012 / às 16:28 / em 6 anos

Mostra reunirá 300 telas de Damien Hirst nas galerias Gagosian

Por Jordan Riefe

Artista britânico Damien Hirst posa em frente a pintura "Mandíbula de tubarão, Esqueleto e Iguana em uma Mesa" em Londres, 13 de outubro de 2009. Mostra reunirá 300 telas de Damien Hirst nas galerias Gagosian. 13/10/2009 REUTERS/Kieran Doherty

LOS ANGELES, 11 Jan (Reuters) - Damien Hirst pode ter diminuído a atividade desde que explodiu em cena como o líder não oficial do movimento “Jovem Artista Britânico” nos anos 1990, mas ele continua uma das figuras mais polêmicas no atual mundo das artes.

As suas obras “Por Amor de Deus” (2007), um crânio incrustado de 8.601 diamantes, vendido por 100 milhões de dólares, e “A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo” (1991) - um tubarão morto boiando em formol - foram ridicularizadas por alguns como sendo golpes mas também qualificadas por outros como inovações.

Desde 1986 Hirst produz uma série que ele chama de “pinturas de pontos” - telas com uma série de pontos de várias cores e tamanhos.

Das cerca de 1.400 telas, 300 estarão em exibição a partir de 12 de janeiro em 11 galerias dirigidas pelo negociante de arte norte-americano Larry Gagosian. Metade delas é emprestada por coleções privadas enquanto a outra metade está à venda.

Recentemente, Hirst concordou em responder a algumas perguntas da Reuters por email, discutindo seu processo e críticas.

P: O que está por trás dessa noção de dedicar todas as 11 galerias Gagosian a suas pinturas de pontos?

R: Estou fazendo pinturas de pontos há quase 25 anos, já segui vários caminhos diferentes com elas e sempre quis fazer uma exposição que contasse a história desse trabalho. A exposição é uma retrospectiva com empréstimos de cerca de 150 colecionadores de 20 países, mas é claro que também há algumas obras à venda.

P: Você pode falar sobre a gênese das pinturas com pontos? De onde veio o conceito e por que um “processo de fábrica” em vez do modo costumeiro de aplicar o pincel à tela?

R: Em vez de pensar sobre se a pintura é importante, eu tentei imaginar se uma pintura, se fosse deixada na rua, em frente a um bar movimentado, ainda estaria ali de manhã, ou alguém acharia que era algo legal o suficiente para levar para casa. As pinturas são feitas aplicando um pincel à tela, e são feitas manualmente. Eu acho que é importante que sejam feitas manualmente, mas igualmente importante que pareçam ser feitas à máquina. Eu nunca tive problema em usar assistentes.

P: Qual é o seu conceito por trás das pinturas de pontos? Como você explica a relevância delas?

R: Eu queria encontrar um modo de usar a cor nas pinturas que não fosse expressionismo. Aprendi com pintores que acreditavam que, como artista, você pinta o que sente, e acreditei nisso por um longo tempo. E então perdi a fé nisso e quis criar um sistema em que não importa a decisão que você tome sobre uma pintura, ela vai terminar feliz. E eu criei as pinturas de pontos.

P: É verdade que você pintou apenas cinco das cerca de 1.400 telas com pontos? Como você pode dar seu nome a um trabalho com o qual está tão pouco relacionado? Ou isso é não entender o que você faz?

R: Isso é não entender o que eu faço, e me surpreende ter que responder às mesmas questões. É preciso olhar para esse trabalho como se o artista fosse um arquiteto, e não temos problema porque um grande arquiteto não construiu realmente as casas.

P: David Hockney teria dito que para pintar você precisa dos olhos, da mão e do coração, dois apenas não bastam. Você concorda com ele?

R: Concordo totalmente. Cada pintura de pontos contém meus olhos, minha mão e meu coração. Imagino que você queira dizer que se eu não pinto realmente meus quadros, como minha mão pode estar ali? Mas eu controlei cada aspecto deles e fiz muito mais do que apenas projetá-los ou requisitá-los pelo telefone. E minha mão é evidente nas pinturas em toda parte”.

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