26 de Março de 2012 / às 15:18 / em 6 anos

James Cameron mergulha no ponto mais profundo da Terra

Por Steve Gorman

Diretor James Cameron no jantar anual DGA Awards, em Los Angeles. Cameron concluiu o primeiro mergulho solo do mundo no ponto mais profundo conhecido na Terra, atingindo o fundo da Fossa das Marianas, no oceano Pacífico em um submarino especialmente projetado. Foto de arquivo 29/01/2011 REUTERS/Phil McCarten

26 Mar (Reuters) - O diretor do filme “Titanic”, James Cameron, concluiu o primeiro mergulho solo do mundo no ponto mais profundo conhecido na Terra, atingindo o fundo da Fossa das Marianas, no oceano Pacífico, a sudoeste de Guam, em um submarino especialmente projetado.

O cineasta chegou ao local conhecido como “Challenger Deep” pouco antes das 8h da manhã (horário local) nesta segunda-feira (19h de domingo no horário de Brasília), atingindo uma profundidade de 10.898 metros, ou cerca de 11 quilômetros abaixo da superfície do oceano, informou a National Geographic Society, que está supervisionando a expedição.

As primeiras palavras de Cameron enviadas para a superfície ao chegar ao fundo do oceano depois de uma descida que durou duas horas e 36 minutos foram “Todos os sistemas OK”, disse a National Geographic em seu site.

“Chegar ao fundo nunca foi tão bom. Não vejo a hora de compartilhar o que estou vendo com vocês”, disse o cineasta de 57 anos em uma mensagem separada no Twitter, publicada logo depois de ter encostado no fundo.

O ponto mais baixo da Fossa das Marianas, um grande cânion abaixo do Pacífico, foi atingido por seres humanos apenas uma vez antes, em 1960, quando o tenente da Marinha dos Estados Unidos Don Walsh e o falecido oceanógrafo suíço Jacques Piccard passaram 20 minutos lá na embarcação submergível Trieste.

Cameron, a primeira pessoa a fazer um mergulho solo no local, passou cerca de três horas no fundo, coletando amostras de pesquisa para biologia marinha, geologia e geofísica, e tirando fotografias e fazendo vídeos.

Depois de um retorno mais rápido do que o esperado, de 70 minutos, ele chegou à superfície com segurança ao meio-dia de segunda-feira (23h de domingo no horário de Brasília), cerca de 500 quilômetros a sudoeste do território norte-americano de Guam, no Pacífico ocidental, disse a National Geographic em comunicado à imprensa.

A expedição foi um projeto conjunto entre Cameron, a National Geographic e a fabricante de relógios Rolex apelidada de “Desafio do Mar Profundo” e tinha como intenção ampliar o conhecimento de um canto pouco conhecido da Terra.

A Instituição Scripps de Oceanografia da Universidade da Califórnia, San Diego, é a principal colaboradora científica do projeto.

A embarcação para um único homem pilotada por Cameron, o Deepsea Challenger, tem 7 metros de altura e foi projetada para descer na vertical e girando a uma velocidade de cerca de 150 metros por minuto.

O submersível representa avanços na ciência dos materiais, engenharia estrutural e imagem por meio de uma câmera estereoscópica ultrapequena feita para profundidade.

Embora seja mais conhecido como diretor de filmes como “Titanic”, “Avatar” e “Aliens”, Cameron não é estranho à exploração submarina.

Para fazer “Titanic”, ele mergulhou 12 vezes no local onde estão os destroços do navio naufragado no norte do Atlântico, levando-o a desenvolver filmagem em alto-mar e tecnologia de exploração.

Desde então, comandou seis expedições, escreveu um estudo forense do local do naufrágio do navio de guerra alemão Bismarck e realizou imagens 3D extensas de fontes hidrotermais profundas ao longo da Dorsal Meso-Atlântica, da Dorsal do Pacífico Oriental e do Mar de Cortez.

A expedição “Desafio do Mar Profundo” foi registrada em um filme 3D para lançamento nos cinemas e para transmissão subsequente no canal National Geographic.

A oceanógrafa do instituto Scripps Lisa Levin disse que o potencial do projeto para gerar interesse do público na ciência oceanográfica foi tão importante quanto qualquer espécie nova que Cameron possa ter descoberto.

“Eu considero que Cameron está fazendo pelas trincheiras o que (o explorador submarino francês) Jacques Cousteau fez pelo mar há muitas décadas”, disse ela ao site do National Geographic Daily News.

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