19 de Abril de 2012 / às 14:33 / em 6 anos

ESTREIA-Camila Pitanga estrela drama amoroso de Brant e Ciasca

SÃO PAULO, 19 Abr (Reuters) - “Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios” completa uma espécie de mapa, um território geográfico e emocional do Brasil que se constroi na filmografia dos diretores Beto Brant e Renato Ciasca, do escritor e roteirista Marçal Aquino e da produtora Branca Villar - uma das mais consistentes parcerias do cinema brasileiro recente.

O ponto de partida é, mais uma vez, um livro de Aquino - como em cinco dos sete filmes do quarteto paulista, a partir de “Os Matadores” (1997). É a quarta história de amor em seguida, depois de “Crime Delicado” (2005, baseado em livro de Sérgio Sant‘Anna), “Cão sem Dono” (2007, adaptando livro de Daniel Galera) e “O Amor segundo B. Schianberg” (2010), deslocando-se desta vez ao Pará - que se soma ao Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul visitados em outros filmes.

A melhor novidade desta história é abrigar a personagem feminina mais forte, respectivamente, do cinema e da literatura dos amigos Brant, Ciasca e Aquino: Lavínia, interpretada com toda visceralidade por Camila Pitanga, que trabalha pela primeira vez com os diretores e recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio em 2011. O filme também foi premiado em Huelva, Espanha, e na Mostra Internacional de São Paulo.

Moradora de uma cidade do Pará, Lavínia ajuda o marido, o pastor Ernani (Zé Carlos Machado), em sua missão junto aos moradores locais. Ao mesmo tempo, envolve-se numa forte paixão com o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado), um forasteiro radicado ali há muito tempo.

As produções da trupe paulista são fruto de intensas colaborações coletivas e isso transpira em cada cena deste vibrante novo filme, cujo foco dramático está na divisão de Lavínia entre suas duas realidades, levando adiante sua contradição feroz, sua beleza intensa e uma dor maior do que a vida, marca de um passado muito complicado.

Inseridos no contexto candente da luta pela terra e o desmatamento da Amazônia -com direito a várias inserções documentais, marca registradas destes diretores-, os personagens são filmados em longos planos-sequência, que permitem a cada ator revelar a verdade de seu papel com a força que a história procura, muito fiel à atmosfera do romance original, apoiando-se na fluência da montagem de Willem Dias, colaborador habitual dos diretores.

Não só a realidade social explosiva como também a luz e as cores da Amazônia entram em cheio no filme, através da fotografia de Lula Araújo - um grande conhecedor da região, engajado em diversos projetos para a TV de Washington Novaes (como “Xingu - A Terra Ameaçada”) e também fotógrafo do belo “Tamboro”, de Sérgio Bernardes, ainda inédito no circuito comercial, e que foi o motivo de sua aproximação com os diretores.

A riqueza visual é enriquecida pela direção de arte de Akira Goto (habitual parceiro do diretor José Eduardo Belmonte), responsável, por exemplo, por um dos cenários principais, a casa em que se desenrola a paixão entre Lavínia e Cauby, repleta de pinturas do próprio Goto e fotografias realizadas por Gustavo Machado - que realizou um treinamento específico anteriormente às filmagens com o fotógrafo Cisco Vasques.

A percussionista Simone Sou assina a trilha sonora, ao lado de Alfredo Bello, e também faz uma participação como a intrigante xamã que aparece numa ponta.

Essa pegada de vida real se introduzindo na história, além de sua atmosfera colaborativa, são a mais clara assinatura deste filme - que constitui um exemplar raro da tentativa de um cinema adulto, de sentimentos e enraizado no Brasil contemporâneo, ao lado de “Xingu”, de Cao Hamburger.

No elenco, participam ainda Gero Camilo -como o jornalista Vitor Laurence, que tem um papel crucial na trama-, o ator paraense Adriano Barroso, como o policial Polozzi; Chico Chagas, como um ex-matador; e Antonio Pitanga, pai de Camila, numa ponta como um outro pastor.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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