28 de Maio de 2012 / às 15:08 / 6 anos atrás

Vitória de "Amour" é consenso em Cannes

Por Mike Collett-White e Alexandria Sage

Diretor Michael Haneke reage após receber o prêmio Palma de Ouro pelo filme “Amour” durante a 65ª premiação do Festival de Cinema de Cannes. 27/05/2012 REUTERS/Yves Herman

CANNES, França, 28 Mai (Reuters) - Críticos elogiaram o júri do Festival de Cinema de Cannes nesta segunda-feira por ter dado a cobiçada Palma de Ouro de melhor filme para “Amour”, do diretor Michael Haneke, que justificou seu status de favorito na cerimônia de premiação do domingo.

O diretor austríaco soma agora duas Palmas de Ouro no maior evento mundial de cinema, integrando uma pequena elite de vencedores múltiplos e firmando seu lugar como um mestre da produção de filmes.

Lento e discreto, o retrato do amor de um casal de idosos franceses enfrentando os últimos estágios de vida levou audiências às lágrimas. Críticos correram para escrever resenhas concedendo cinco estrelas ao filme.

Sua vitória foi particularmente bem-vinda na França, onde as estrelas do longa, ambos em seus 80 anos de idade, são nomes respeitados do cinema nacional.

“Os nomes de Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant ... vão parecer perante os olhos do público como uma vitória francesa”, disse o jornal Le Parisien.

Quem não deu as caras na cerimônia de premiação que encerrou o festival de 12 dias na Riviera Francesa foram as produções norte-americanas, sendo que cinco participaram da competição principal, que tinha 22 candidatos.

Nem mesmo o talento de estrelas de alto calibre como Nicole Kidman e Brad Pitt, ao lado de nomes emergentes quentes de Hollywood, como Jessica Chastain, Tom Hardy e Zac Efron, foi suficiente para conquistar os jurados de Cannes, comandados pelo diretor italiano Nanni Moretti.

No ano passado, o diretor norte-americano Terrence Malick ganhou a Palma de Ouro por seu “A Árvore da Vida” e Kirsten Dunst arrematou o prêmio de melhor atriz por seu papel em “Melancolia”, de Lars Von Trier.

“SENTIMENTO DE DECEPÇÃO”

Os críticos de Cannes ficaram mais desanimados em relação à maioria das produções dos EUA, embora “Killing Them Shoftly”, do neozelandês Andrew Dominik, que trouxe Brad Pitt como um executor da máfia em uma cidade norte-americana atingida pela recessão, foi razoavelmente popular.

“Nenhum (filme) deixou a cidade em chamas, e claramente não conseguiu contar com o apoio expressivo da crítica”, disse Todd McCarthy, do The Hollywood Reporter, em reação aos prêmios.

O que a forte presença norte-americana fez, no entanto, foi colocar estrelas no tapete vermelho, um ingrediente chave para o sucesso em um festival que vive não só do cinema alternativo, mas também do glamour, fama e das celebridades.

Além de Haneke, outros dois ex-vencedores foram premiados em Cannes -- o britânico Ken Loach ganhou o prêmio especial do júri com a comédia escocesa “The Angels’ Share” e o romeno Cristian Mungiu ganhou melhor roteiro para o drama sobre exorcismo “Beyond the Hills”.

As duas jovens estrelas do filme, Cristina Flutur e Cosmina Stratan, surpreenderam com a dupla premiação de melhor atriz, enquanto o dinamarquês Mads Mikkelsen arrematou o prêmio de melhor ator por sua interpretação de um homem injustamente acusado de abuso infantil no drama angustiante “The Hunt”.

O mexicano Carlos Reygadas venceu na categoria melhor diretor por “Post Tenebras Lux”, uma exploração onírica da corrente de riscos dentro da sociedade mexicana de hoje.

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