14 de Junho de 2012 / às 14:55 / 6 anos atrás

ESTREIA-Em "Prometheus", Ridley Scott volta a confronto com alienígenas

SÃO PAULO, 14 Jun (Reuters) - Se o cinema estiver certo, em 2093, os cientistas ainda não terão conseguido provar a existência do bóson de Higgs, uma partícula misteriosa, supostamente decisiva para a criação da vida. Notícias recentes dão conta de que pesquisadores estão próximos de comprovar sua existência. Mas em “Prometheus”, novo no filme de Ridley Scott, os seres humanos terão de ir até outro planeta para descobrir a origem da vida na Terra.

O produtor britânico Ridley Scott (esquerda) e sua parceira Giannina Facio posam para fotógrafos na estreia mundial de "Prometheus" na Praça Leicester em Londres, 31 de maio de 2012. REUTERS/Paul Hackett

É nessa ficção científica que, mais de três décadas depois, o diretor inglês volta ao universo de “Alien - O Oitavo Passageiro” (1979) e investiga a hipótese de não estarmos sozinhos no universo.

Uma nave viaja até uma galáxia longínqua onde, espera-se, a tripulação irá encontrar aquilo que chamam de Os Engenheiros -ou seja, os seres que criaram a vida humana.

A cientista Elizabeth Shaw (Noomi Rapace, da versão sueca de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”) acredita firmemente nisto, baseada na repetição de pinturas rupestres em vários pontos da Terra, ainda que nem por isso ela deixe de acreditar em Deus e não se separe de seu crucifixo.

O que ela e sua equipe -que inclui, entre outros, seu marido também cientista, Charlie Holloway (Logan Marshall-Green), uma figura maquiavélica organizadora da expedição, Vickers (Charlize Theron), e o androide David (Michael Fassbender, de “Shame”) - encontram é uma imensa e misteriosa caverna, aparentemente vazia, mas ocultando muitos perigos.

Durante toda sua primeira e melhor metade, o longa é uma meditação sobre a existência humana, sobre sua origem e futuro, se eram os deuses astronautas e outras questões que sempre intrigaram a humanidade.

Nessa primeira metade, Scott encontra o tom e ritmo certos, criando suspense e tensão, além de imagens poderosas que indicam um caminho que o filme, afinal, não vai percorrer.

Poderia ser algo mais filosófico -ainda que não como “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick- e, principalmente, poderia evitar sua transformação numa espécie de trash com pedigree, recorrendo a violência e muita gosma.

O roteiro, assinado por Jon Spaihts e Damon Lindelof (um dos roteiristas de “Lost”), não consegue conciliar bem a transição entre as duas partes do filme -o pré e o pós-contato com os seres. Os clichês do gênero vão se revelando aos poucos, o que resulta numa conclusão um tanto frustrante. Há bons momentos, especialmente quando há um subtexto político em “Prometheus” a respeito da construção e utilização de armas de destruição em massa, mas a correria gosmenta afinal predomina.

A cientista vivida por Noomi Rapace é uma espécie de herdeira da personagem de Sigourney Weaver na série “Alien”. Frágil e, ao mesmo tempo, determinada, a atriz traz à tona as nuances de dra. Shaw - especialmente seu paradoxo de cientista rigorosa que não abre mão da fé.

A pesquisadora encontra ressonância especialmente no androide David. Frio, sem sentimentos ou emoções, num primeiro momento, parece uma espécie de Pinóquio em busca de humanização. A entonação de sua voz remete ao computador super-inteligente de “2001 - Uma Odisseia no Espaço”, mas é vendo “Lawrence da Arábia”, e se espelhando no protagonista interpretado por Peter O‘Toole, que o robô adota um padrão de comportamento humano.

Nos seus momentos mais inspirados - “Alien” e “Blade Runner - O Caçador de Androides” -, Scott é capaz de criar uma estética inventiva a favor da narrativa, sem nunca deixar o visual predominar sobre a trama. Aqui não é diferente.

As exibições em 3D e IMAX só reforçam o poder sugestivo e plástico das imagens, sem nunca se tornar uma distração, e sim um complemento para a experiência de assistir ao longa.

Ao contrário de muitas ficções científicas, “Prometheus” não escancara o seu teor de parábola, não fala da ciência desmedida ou de cientistas malucos e sem limites. Nesse sentido, o filme de Scott é mais sutil, escorrega na sua própria gosma, mas ainda assim, se reencontra em meio a divagações metafísicas.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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