22 de Junho de 2012 / às 16:24 / em 5 anos

Repressão chinesa coloca artista Ai em evidência no exterior

Por Mike Collett-White

LONDRES, 22 Jun (Reuters) - Quanto mais a situação do dissidente chinês Ai Weiwei em casa piora, maior se torna a sua reputação como artista e ativista no exterior, um ponto que ativistas dizem que Pequim deveria ter em mente quando tenta calá-lo.

O artista barbudo de 55 anos voltou às manchetes nesta semana ao sair de sua casa pela primeira vez em um ano sem ter que informar o seu paradeiro à polícia.

Ele usou sua liberdade recente para dizer à mídia que além de um processo de sonegação fiscal em curso, ele era suspeito de outros crimes, incluindo bigamia, pornografia e troca ilegal de moeda estrangeira.

Ai, o mais proeminente crítico da China que as autoridades estão desesperadas para silenciar, está impedido de viajar. Mas, ao que parece, quanto menos ele viaja para o exterior, mais se torna importante.

“É certamente verdade que (a repressão) tem o efeito indesejado fora da China”, disse Patrick Griffith, do Freedom Now, um grupo norte-americano que representa os prisioneiros de consciência em todo o mundo.

O grupo não tem trabalhado com Ai, mas representa Liu Xiaobo, o Prêmio Nobel da Paz preso por 11 anos por incitar subversão.

“Ele (Ai) é quase universalmente conhecido nos Estados Unidos, não só por causa de sua arte, razoavelmente bem conhecida, mas pelo seu desaparecimento no ano passado, que o lançou ao estrelato internacional”, acrescentou Griffith.

Ai foi detido durante 81 dias sem acusações em 2011, a maior parte do tempo em confinamento solitário, até sua libertação condicional.

As autoridades chinesas podem muito bem estar cientes do impacto de suas ações no exterior, mas veem isso como uma situação necessária para limitar o alcance nacional das críticas de Ai sobre tudo, desde política e corrupção até poluição e educação.

“Eles têm muito medo dessa informação sair”, disse Griffith. “Até certo ponto eles têm sido bem-sucedidos. (Mas) as pessoas estão cada vez mais cientes de Ai Weiwei e de sua mensagem. Ativistas da Internet são capazes de contornar a ‘grande muralha’.”

GRANDE ARTISTA

Há poucas dúvidas de que as visões propagadas de Ai e as angústias subsequentes causadas por elas o colocaram no “alto escalão” da arte contemporânea no Ocidente, embora muitas de suas obras não sejam abertamente políticas e sua natureza conceitual limite seu valor de mercado.

“Em termos de seu impacto, isso faz dele um artista ainda mais importante”, disse Anders Petterson, diretor da ArtTactic, que analisa tendências no mercado de arte.

“Isso vai reacender o interesse por ele entre os colecionadores chineses fora do país, e eu acho que veremos colecionadores e instituições de arte a colaborar com ele.”

Em outubro, Ai foi nomeado a figura mais poderosa do mundo da arte no ranking da revista ArtReview, superando nomes conhecidos como o dono de galeria Larry Gagosian e artistas de renome, incluindo Gerhard Richter (que ficou em 11o) e Damien Hirst (64o).

Ele já expôs na Grã-Bretanha, Estados Unidos, França, Alemanha e Suíça nos últimos anos. E, embora nem sempre possa estar presente devido a restrições de viagem, ele tem muitos seguidores entre críticos e público.

Um triunfo notável foi o seu ‘Sunflower Seeds’, parte da Série Unilever encenada no cavernoso Turbine Hall, do museu Tate Modern, em Londres. O trabalho de 2010 consistiu em 100 milhões de “sementes” de porcelana feitas à mão espalhadas pelo chão.

Como muitos de seus trabalhos conceituais, a peça poderia ser interpretada tanto como uma crítica à China e um amplo comentário sobre as questões que a sociedade enfrenta hoje em dia - um mar de pessoas sem rosto pisoteadas; produção em massa versus talento.

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