13 de Setembro de 2012 / às 13:07 / 5 anos atrás

ESTREIA-"My Way" revive trajetória do cantor francês autor da música

SÃO PAULO, 13 Set (Reuters) - O cinema tem na música e seus intérpretes uma fonte frequente de inspiração. Ou mesmo, verdadeiro fascínio. Músicos são sofredores, vencedores, decadentes e viram mitos, a grande matéria-prima que alimenta a paixão dos fãs.

Mas nem tudo são belos acordes para os ouvidos do espectador. Com frequência, os diretores desafinam ao abordar o tema e o resultado fica abaixo das expectativas, como acontece em “My Way - O Mito Além da Música”, a cinebiografia do cantor e compositor pop francês Claude François (Jérémie Renier), autor da canção “My Way”, celebrizada e eternizada por Frank Sinatra.

O diretor Florent-Emilio Siri tem muito para contar, mas se perde no caminho e entrega um dramalhão piegas e longo. Quem for ao cinema à espera de encontrar um trabalho no nível de “Piaf”, certamente vai se decepcionar.

A partitura da vida de Claude François tem todas as notas que poderiam render um filme regular, com os altos e baixos de um personagem que persegue e conquista o sucesso por mérito próprio, superando obstáculos que pareciam intransponíveis.

Mas o que fica em evidência é apenas sua personalidade narcisista e irritante, incapaz de atrair a simpatia do público. Ou talvez suas composições não ajudem muito e pareçam datadas, mais de 50 anos depois.

Filho de um rígido cidadão francês (Marc Barbe) casado com uma italiana (Monica Scattini), que desfruta de boa posição social e econômica no Egito dos anos 1950, Claude é criado pelo pai para tornar-se um violinista. E se sai bem como garoto aplicado.

Mas no início da vida adulta, ele decide enveredar pela música popular e encontra a total oposição paterna. Seus problemas pessoais se agravarão ainda mais com a chegada de Gamal Abdel Nasser ao poder. Com as ações nacionalistas postas em prática pelo novo regime, com amplo apoio popular, a vida dos estrangeiros fica difícil e a família de Claude é obrigada a abandonar o país.

Recomeçando a vida na Europa, onde tem que trabalhar para sobreviver e ajudar no sustento da família empobrecida, Claude passa a encarar seriamente a atividade musical como meio de vida, mas pagará um alto preço: a saída de casa e o desprezo do pai, que rompe relações com o filho.

Mesmo livrando-se da opressão paterna, Claude não suporta ser rejeitado e faz de tudo para ser aceito novamente na família. Apenas a mãe e a irmã lhe são solidárias.

Sua vida profissional também não anda fácil. Todas as tentativas para gravar um disco são frustradas. Suas composições não atraem o interesse do executivo de uma gravadora, que fatura com o início da febre do rock e lança novos galãs no mercado.

Atento à moda, Claude muda seu estilo e acaba conseguindo emplacar a gravação de um disco. É o início do sucesso. Em pouco tempo, torna-se tão popular quanto Johnny Hallyday e terá uma canção gravada por Frank Sinatra: originalmente intitulada “Comme d‘habitude”, tornou-se sucesso mundial na versão em inglês, “My Way”.

O filme acompanha a carreira meteórica do novo ídolo, apelidado de Cloclo, e os problemas decorrentes da fama. Obcecado pelo sucesso a qualquer custo, é extremamente rigoroso com os músicos que o acompanham, envolve-se com as groupies que o assediam e vê seu casamento ruir.

O final é trágico, mas poderia ter sido evitado se o acaso não conspirasse contra. Claude não conseguiu realizar seu maior sonho, aproximar-se de seu ídolo, Sinatra, mas eternizou sua existência como o autor de uma canção inesquecível.

(Por Luiz Vita, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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